Dia estranho. Todos os lados metralhadoras de informações sobre casamentos e separações. E eu fazendo análise pra tentar entender se eu realmente não quero ou se eu tenho medo de me relacionar tão profundamente com alguém de novo.
Primeiro ponto. Eu tenho minhas concepções sobre casamento, amor, paixão. Quanto aos meus conceitos eu sou bastante prática e fria. Não na vida real, só nas minhas teorias, porque na vida real eu não seria a única peça atuante.
Casamento: um só pra vida toda, ou que só comece outro porque algum dos dois morreu. Mas a partir do momento que você se compromete, é seu dever fazer de tudo pra fazer isso funcionar.
Paixão: substância liberada no cérebro quando uma série de fatores favoráveis se combinam quando encontra um parceiro em potencial para perpetuar a espécie. É quando seu corpo diz que os seus filhos com aquele cara serão fortes e saudáveis. Daí seu coração dispara e você só pense nele (a) e você está pronta (o) para abrir mão de um monte de coisa e se adaptar ao mundo dele (a).
Amor: Vem depois que você conhece bem a pessoa e deseja o melhor pra ela mesmo quando isso significa o pior pra você. Vem depois que a paixão acaba, o desejo de renovar, o respeito, a parceria, a cumplicidade, maturidade principalmente. Cientificamente falando, fica muito nítido depois de 7 anos, quando a fermentação química toda passa.
Há a minha teoria mais macabra e cética que parte do princípio que o amor é altruísta, nós somos treinados desde sempre a pensar só na gente, logo, somos egoístas, portanto não temos a capacidade de amar, daí o amor não existe. Talvez entre mães e filhos, quiçá o pai também ame.
Eu vejo casais felizes e quero mais que eles sejam felizes e maduros. Eu vejo casais apaixonados e babacas eu quero mais que eles acordem pra vida e cresçam. É, pois é... é involuntário.
Comprei um livro há uns dois meses atrás - que nem comecei a ler direito ainda- que chama "Como o mundo faz amor". O cara foi abandonado no altar e foi curtir a lua-de-mel já paga com o irmao, daí ele escreveu um livro. Depois que vendeu a obra ele foi financiado pra pesquisar sobre o amor ao redor do mundo. Aí ele conheceu trocentas culturas diferentes, e diferentes modos de se relacionar. Como disse, não li ainda, mas uma coisa que eu li nele e curti muito foi de uma senhora indiana que pediu para que ele perguntasse para as pessoas se hoje elas amam mais seus conjujes do que no dia do casamento. E a resposta é sim, eles diziam não ter noção do que é amar no dia do casamento. Esse é o espírito.
Uma amiga minha fez a observação que ela nasceu para procriar! Sim, ela foi criada para ser esposa, ter filhos e cuidar do marido. Achei uma fofa, principalmente porque ela pensa assim sem abrir mão de estudar e ser uma boa profissional. Esposa e mãe sim, amélia e submissa não. Agora tem gente que nasce pra ser dondoca, mãe e esposa e anular-se como mulher, como cidadã, como alguma coisa útil pra sociedade, é só pra procriar mesmo. Daí eu penso: que bosta!
E por que a Susaninha pensa assim hoje? Porque ela foi criada pra casar, ela é artista, ela borda, ela pinta, ela não fala palvrão, ela é adepta ao casar virgem! Mas por uma falha na matrix, isso tudo não foi o suficiente, e o cara quem ela mais amou era um bosta egocêntrico e invejoso, e todo aquele idealismo de parceria e amor ruiu feito castelinho de areia. Agora vem cá, depois de ficar paraplégica, porque ela pularia de para-quedas outra vez?
Ainda não sei se não quero, ou se tenho medo, se não quero porque tenho medo, se não quero porque eu espero o pior de todo mundo. Não sei, não sei mesmo. Sei que me incomoda.
Odeio dormir sozinha, fato. Mas não sei se estou disposta a abrir minha vida pra alguém entrar. A dividir minhas conquistas com alguém que talvez não queira se doar no mesmo tanto, pra alguém que leve relacionamentos não tão a sério, ou talvez alguém que seja tudo isso, mas falte a tal da química.
Funções sociais... odeio. A sociedade pressiona demais! Meu meio de convivência pressiona demais! Boa profissional, bem arrumada, bem cuidada, feliz, casada, filhos! Oh damn! Eu fico é louca! Não estamos numa linha de produção! Quer dizer, eu pelo menos não.
Mas será que eu deveria estar? Será que a felicidade consiste em não questionar nada, em aceitar td, em nao criar expectativa alguma sobre nada? Minha terapeuta sempre diz: Santa Ignorância. E eu digo: Ignorância é uma bênção! E Salomão disse: O muito estudar é enfado da carne. Se até o cara mais sábio que já existiu já disse isso, quem sou eu pra duvidar?
Eu repudio a burrice, eu escarneço os que falam amém amém, mas na boa, eles sim são felizes, a verdade liberta, mas dá muito frio!
Se eu não sei que eu não sou corna, eu não me sinto corna. E eu era feliz! ahah
Se eu não sei que eu não preciso, eu não vou querer! Então eu sou feliz!
E desculpe teorizar o que você acha mágica, mas eu acho química, física, biologia, antropologia e sociologia. Na boa, você é mais feliz!
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