segunda-feira, 13 de abril de 2020

what's the odds?

Deixe-me atualizar sobre os últimos acontecimentos.
Tive essa oportunidade de passar 2020 na Irlanda, de quebra fazer uma eurotrip e cursos de moda em Londres.
Morri de comer de tão ansiosa durante dois meses e fui, cheguei na Irlanda com a expectativa lá em cima, nem achei tudo isso. A minha percepção de cidade antiga passou pra velha e mofada. Um bando de aproveitador em relação ao aluguel, me deu odio, confesso. Primeira coisa que penso é: mano, eu sou muito cuzona.
Enfim, permeando tudo isso havia um vírus. Um vírus que parou a China, que tava matando loucamente na Itália e tava chegando em todos os lugares do mundo. O problema é que esse corona vírus aí se espalhava rápido colapsando o sistema de saúde por onde chega. Por isso a festa de St. Patrick foi cancelada, uma semana depois lockdown. Só sair pro essencial. Depois nem correr na rua podia mais.
Aí eu te pergunto, qual a chance de numa viagem internacional- que não é um hábito- eu ser pega por uma pandemia?
Amor, azar na sorte, tenho sim!
Enfim, lá eu fiquei trancada numa casa fria, pq ainda to acostumada com o frio de 20º do Brasil, então 5º pra mim é coisa de ligar o aquecedor, mas não ligava. Então era o dia todo na cama, em todas as posições possíveis na parte de baixo de um beliche. Mano, eu tava numa caixa de transporte que não seria transportada. Nem tudo é tão horrível, tínhamos nutella barata e pessoas maravilhosas pra dividir o dia.
No entanto não produzo dinheiro pra gastar euros assim por nada. Sem passeio, sem trabalho. Aí acontece que foi cancelado as entrevistas de visto pra trabalhar e estudar. Com isso eu apostava em continuar lá assim, ou eu bancava uma passagem de volta.
Lá vou eu acordar toda noite as 3:30 pra orar. Eu acordo na hora certa sem despertador mesmo. aí acordei com a certeza que vou voltar pro Brasil.
Voltei na pior viagem da vida. Primeiro que o aeroporto é um ótimo vetor de transmissão. Segundo que minha conexão era em Londres. E mano, meu sonho é Londres e eu tava lá e não podia descer....
O aeroporto estava cheio, mas foi esvaziando. Para comer, só vending machine... ou seja, ganhei uma enxaqueca, que ao final do dia já tava me dando enjoo. O voo tava superlotado, quente, a comida era de pacotinho também. Na hora de descer eu tive uma pré crise de claustrofobia, pq td mundo ficou juntinho ao ponto de não espaço pra mexer.
OH GOD
enfim cheguei, entrei no carro e tava fora do prumo, jet lag, desconectada do espaço. As ruas vazias em dia de semana, o mundo ta estranho, caralhoo!

Agora voltei pra casa, voltei pro fuso, voltei pro calor. Voltei ao que era.
Não tô irritada por ter dado errado. Porque ainda vou voltar. E agora todo mundo está vivendo exatamente como eu vivia, trancado em casa. Então me sinto menos impotente.
E tenho aceitado tão bem esse caos todo. Porque não é um caos que criei, não é algo que eu tenha controle. É como uma chuva forte e bizarra que eu nem tenho o que fazer, nem se eu me desesperar posso mudar algo. Só fico aqui embaixo esperando o baque.

No meio de tantas reclamações, agora em casa, não faz mais o menor sentido... reclamar não evitar o contágio, não vai trazer a cura, nossa via crucis, apenas melhoremos nesse trajeto.


enjoy this fucking ride