quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

shut up and hold me

Não vou olhar no dicionário para falar da definição de uma palavra a partir de um dado oficial. Quero falar abertamente, empiricamente, do jeito que vier na minha cabeça.
Tema de hoje: abraço.
Sei lá, talvez eu tenha sido adotada e tenha vindo de uma família que batiam em mim, ou talvez devo ter sido abandonada numa mudança e minha família que me criou me achou.Ou talvez tenha só sido criada sob influências alemãs, dessas bem frias.
Não choram, não sentem, não explodem de alegria, e nem abraçam. Imagina! Contato físico! Quanta intimidade!
Fato é que eu amo abraços, mas não tenho coragem, ou sequer fico a vontade em distribuir como gostaria.
Quando me abraçam da vontade de fazer um ninhozinho e chafurdar ali. Assim mesmo como um gatinho safado.
Mas eu me comporto muito bem, e não saio me confortando no abraço alheio assim do nada.
Aí ontem eu tava carente num grau crônico destemperado, e eu queria pedir uma abraço. Alguém? Alguém?
Daí comecei a pensar em que bizarrice é minha cabeça!
Passo o dia no trabalho cercada por meus amigos. Tenho colegas de trabalho e tenho amigos muito especiais aqui dentro. Então qual a dificuldade de pedir um abraço? cacete!
Ora! várias! As pessoas que verem isso vão achar o cúmulo! imagina esse tipo de contato físico no ambiente de trabalho quando não se está dando oi, tchau, parabéns, feliz natal! Que coisa triste tolir um abraço inocente.
Talvez tenha mais medo até por não gostar que invadam meu espaço, mas estou falando de conhecidos, de queridos!
O poder restaurador de um abracico é magnífico. De abraço apertado e afagador então! cura até câncer minha gente!
E eu aqui, morrendo de agonia sem coragem de pedir abraço.
O queeee? Susana? Essa aí é de ferro! não chora e só sabe bater! c acha que ela precisa de abraço? dãr
Nha... internet é bom mas não garante abraço e olho no olho.
Estar perto nem sempre permite ficar tão perto assim.
Se eu pudesse dar mais abraços ao longo do dia eu ia ser menos doida e menos agoniada, e seria tão bom dividir o quentinho do corpo de alguém com o meu. E ainda tenho a vantagem de ser pequena e ainda posso ouvir o coração das pessoas. Nhai! É tanta vida que eu até piro de alegria.
Susi não é de ferro, é dessas bem Amelié Poulain e adora uns abraços grátis, só é panaca demais pra fazer certas coisas.

"não me delete, por favor"

Esse post contém uma mensagem que não é minha, mas fala bem haha: referência no final.

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.
O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.
Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.
Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.
O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angustia. Filosoficamente a angustia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

bitter

Fico feliz de não ter sido um vento, um papel branco. Fico feliz por ter sido significativa, por ter te mostrado muita coisa. Fico feliz em saber que você hoje é maior e melhor que antes, e fico mais feliz em saber que tem dedo meu no meio.
Mas ao mesmo tempo uma grande amargura bate em mim. Porque eu aguentei seu inferno, mas seu céu vai pra outra pessoa. Por muito menos você dedicou muito mais a uma qualquer.
Eu tentei gritar, te mostrar, te acordar. Mas não fui capaz de fazer isso no meu tempo.
O mais chato de tudo é que eu vi isso acontecer de novo comigo, mas significa muito menos agora.
Porque com você aprendi coisas valiosas como nunca mais deixar pra amanhã, o depois talvez nunca chegue. Aprendi que amor é só mais uma palavra como arroz lágrima ou almôndega.
Aprendi que U2 é a banda pop (metido a rockers) mais ridícula da Terra.
Aprendi o que é se levantar sozinha, o que é costurar as feridas em si mesmo sem anestesia. Aprendi que cristãos são mais blábláblá mesmo.
No fundo fico muito triste de essa ter sido minha parcela de lições, não sei quanto tempo leva pra uma ferida cicatrizar. Acho que superei, mas nada me tira o gosto amargo do tempo perdido, porque isso não volta mais.
Se eu era boa e nobre, hoje tenho outros meios, talvez duvidosos pro mundo, mas estou à frente. Esse é o modo que arranjei pra sobreviver.
Quando se volta do inferno, não dá pra aceitar ser o mesmo outra vez.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

about sex

Da importante tríade: Sexo , Drogas e Rock n' Roll, eu falo bastante de drogas (as minhas lícitas da folhinha rosa), de Rock, agora sexo nem tanto. Então o tema de hoje será sexo! Quero dizer... tipo sexo.
Até gosto de falar sobre, mas sou meio anta no assunto, tão anta que quero falar justamente sobre os outros prazeres tão bons que comparo com sexo, mas que eu aproveito muito mais.
ãhn?
Assim, eu prefiro mil vezes um bom papo do que um bom sexo. Acredito que para o meu cérebro a sensação deve ser a mesma, ou melhor quem sabe! Porque um bom papo pode durar muito mais, e eu posso ter essa relação com muito mais gente! Afinal, sociedade monogâmica, mentalidade monogâmica, não dá pra abusar né.
Mas a conversa é liberada!
E assim como sexo, são raríssimas pessoas que me empolgam pra isso. E quando me empolgo numa boa conversa, posso dizer que meu cérebro tem orgasmos múltiplos.
A boa conversa tem até mais intimidade do que o sexo, porque se abrir tanto assim, ver o outro de guarda baixa pra você, na minha opinião, é o máximo da intimidade. E como amo!
Devo soar como uma retardada nerd falando isso... mas dane-se! acho mesmo! prefiro mesmo!
Relacionamentos legais mesmo são aqueles que envolvem boa conversa, daqueles que vocês viajam e aprendem muito um com o outro, te deixa com aquela sensação de cabelo viçoso, de pele radiante, de saúde e equilíbrio mental e frio na barriga de tanta empolgação.
DE-LÍ-CIA
Pode se matar na academia, desfilar com seus carros poderosos, esbanjar seu dinheiro, mas se não conseguir me entreter com as suas ideias, melhor procurar sua turma porque eu estou aqui ó, bocejando.

Sei lá... acho que eu devia fazer terapia... só acho

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

my precious particular

Normalmente acordo tarde e passo o dia sem maquiagem, só o protetor solar porque eu realmente tenho medo do sol. Eu tenho sardas.
Se acordo mais ou menos no horário consigo assistir o sol nascendo da rodovia. Ele começa o espetáculo bem de frente pra mim.
Hoje eu acordei cedo mesmo, nem consegui ver o sol nascer. Ele deve estar nascendo agora, mas as janelas são fumê e não consigo ver lá fora.
Com tempo sobrando já fui ao banheiro fazer a maquiagem. BB Cream na cara, esfumaça o preto nos olhos. Diga olá para a Susi de cada dia.
Essa que nunca será a funcionária do mês, mas nem liga, basta fazer direito o que se propõe a fazer.
Nerd sem o orgulho nerd... pelo menos não no ambiente de trabalho.
Tudo parece tranquilo e encaixado, mas o mundo é um caos. Susi segue a vida com cara blasé e olho contornado. Dane-se! esse mundo gosta mesmo é do meu batom laranja supertrend.
Hoje não assisti ao espetáculo do sol. Mas eu gosto mesmo de dirigir no escuro e quando as ruas estão vazias e tudo parece que é só pra mim. Tenho medo do sol. Mas amo o show de aparição e de sumiço dele. Mas o que importa? É um prazer desses bem particulares que deleito-me sozinha.
Falando em deleites acompanhada de mim mesma, essa é uma velha máxima da minha vida.
O que toca nos meus fones de ouvido criam uma redoma ao meu redor, minha sala, meu mundo. Não divido porque sei que não apreciam como eu aprecio. Então não quero que olhem com desprezo para meus prazeres. E todo mundo tem o direito de não gostar. Por isso não ofereço convites para entrarem na minha redoma. É meu imaculado espaço. Minha mente, meu buraco negro, meu abraço secreto.
Perto da minha casa tem um caminho estreito que liga o bairro á rodovia. As árvores fazem um túnel pela estradinha e deixam o sol passar bem aos poucos por suas folhas. Tenho a sensação de estar num mundo de duendes e fadinhas roxinhas aladas. Uma pena que hoje há muito movimento de carros... imposível sentar e curtir as fadinhas voando ao meu redor.
De qualquer forma, a tendência é curtir os túneis e o show do sol de dentro do meu carro. Gosto da redoma que ele me proporciona. Embora não seja tão seguro assim, na verdade me sinto mais exposta até. Mas de alguma forma é meu camarote.
Nos meus fones de ouvido fico ouvindo exercícios vocais para canto lírico, e adoro. Certamente se estivesse audível pra todo mundo aqui seria muito ridículo. Mas sigo com fones de ouvido e batom laranja.
Importa o que mostro, o resto é meu deleite particular.
Não me importa participar ou não do mundo de fora, só aqui dentro consigo paz, consigo sorrir meu sorriso banguela e honesto. Pra vocês, meu sorriso conquistado com 6 anos de aparelho nos dentes, clareamento artificial e um batom de boa qualidade.
Passarei o dia na minha tela azul turquesa, mas aqui dentro eu tenho uma explosão de aquarela, com tons pastéis, preto e sangue. Mas ainda é meu, e não tem covites a venda, a porta está trancada, te deixo uma fresta apenas pra espiar, mas de forma que jamais interfira no meu mundo enquanto eu assistir a chuva como se fosse um filme inédito na sua TV imensa de ótima resolução.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

dear 10 years ago susi

Vi isso num site que amo e vou fazer pra mim também. Uma carta pra Susana de 10 anos atrás!
Há 10 anos eu tinha 17 anos, início de 2004.

Querida Susi, aproveite, esse será o último ano tranquilo da sua vida.
1) Fale mais sobre o que você pensa, isso fará você economizar uma baita grana com terapeutas e remédios no futuro.
2) Sim, te acharão insana, mas relaxa, isso nunca vai mudar, nem quando você fingir normalidade. Quanto antes você aceitar que você é esquisita e que isso é legal, melhor.
3) Continue confiando em Deus, continue sendo espiritual, mas nunca seja religiosa, e nunca espere nada de "cristãos", seja melhor que você pode ser apenas.
4) Você é arrogante, mas nunca deixará de ser, porque a maioria das pessoas escolheu ser medíocre. Respeite isso, mas procure os nerds.
5) Cuidado com os nerds, eles não tem muito tato com sentimentos- nem com os seus nem com os deles.
6) Não deposite felicidade em ninguém, nem amigos nem namorados.
7) Não queira casar virgem, quer saber? desencana dessa neura de primeira vez, é mais ridículo que conto de fadas. Um dia você vai entender.
8) Acredite na sua intuição, mesmo quando não parecer fazer sentido algum.
9)Já falei para você se expressar mais? Então, o faça sem medo, sério mesmo.
10) Desenhe mais, nunca pare, vai fazer falta.
11) Estude mais, eu sei que você já estuda bastante, mas de repente você pode conseguir uma bolsa numa faculdade de Moda em SP.
12) Ou não, e vá conhecer outros mercados, outros mundos, junte sua grana e vá estudar moda. Também pode ser bem legal viu. Um dia viveremos disso, prometo! Mas não pare de desenhar.
13) Aproveite suas horas vagas, toque seu violão, vai fazer bem.
14) Alguém sempre tem que ceder, mas não precisa virar uma madalena por isso.
15) Coma muito queijo, no futuro você descobrirá que você tem alergia a algo muito importante.
16) Você é magrela e zoiuda, mas é linda, relaxa e para de timidez.
17) Eu sei que você não usa filtros, mas prefira os amigos mais velhos.
18) O Rock não vai morrer.
19) Você dançaria funk por dinheiro. Acredite, então não julgue os outro, tá.
20) Desapega... de tudo e todos, as coisas ficarão mais leves e mais fáceis.
21) Não, você não gosta de Publicidade e Propaganda. Mas vá e mate mais aulas, curta os amigos.
22) Quando você encontrar o hippie... vai ser ótimo, mas você nunca vai beijar o hippie, desculpa falar tá.
23) Esse seu namorado você vai amá-lo de outro jeito depois, mas tudo acaba, viu, menos o amor.
24) Eu diria pra você se dedicar mais à música do que ao teatro, mas cabe a você né...
25) Baladas alternativas são legais, sua mãe vai achar que é o demônio no seu corpo, mas não é, muito pelo contrário.
26) Nunca pense que pra você não é permitido, ou que você é menos. Isso tudo é ridículo e pode te atrapalhar muito.
27) 10 anos depois "lá" já mudou muito de direção, apesar do roaming, gosto do rumo que toma.

Se eu realmente pudesse te dizer algo aí, 10 anos atrás, Susi, seríamos outra coisa... e eu te daria milhões de conselhos mais, mas parabéns por tudo, você não precisou de mim, nem dependeu de ninguém pra ser quem é hoje!