quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

who is the joker, who is the joke?

Sou mórbida, mas nem tanto.
Não queria ter lembrado que dia é hoje, isso não compreende meu nível de morbidade.
Já disse e repito: eu aceito a morte. A morte endossa a vida e eu jamais esqueço dela. Prefiro lembrar que minha vida é breve para cuidar melhor das pessoas ao meu redor e do que elas me alimentam, e vice-versa. Vem com a velhice e é um aprendizado bem duro.
Não gosto da ilusão, não gosto de fantasiar, gosto da vida como ela é, esperar o que ela pode trazer, buscar o que eu posso e quando quero.
Mas na verdade, falando em vida, poucos são os axiomas. Exceto que você morrerá e todo mundo que você ama também, o negócio é não fazer disso um problema, mas uma condição básica, e fazer da vida uma oportunidade, fazer de cada dia uma oportunidade. Mesmo nem tendo humor e amor para isso todos os dias.
Lamentarei a falta de referências, de associações parecidas, ricas do meu jeito, porque realmente são raras.
Isso me lembra um livro do Jostein Gaarder, O dia do curinga. A ocorrência de uma carta curinga a cada 54 cartas.
Por que o baralho tem 54 cartas e um curinga? Posso considerar o curinga como parte do jogo?
Curingas... raros... sinto saudade, mas me alegro por olhar no espelho e enxergar um curinga, como você, com o que tinha de bom e com o que tinha de ruim.
Faço parte do jogo?
Por que 54?
"Como Sócrates, também eu poderia dizer: "Sei que nada sei". Mas tenho certeza absoluta de que um curinga continua perambulando pelo mundo. Ele se encarregará de não permitir que o mundo se acomode. A qualquer momento, e em qualquer parte, pode aparecer um pequeno bobo da corte usando um barrete e uma roupa cheia de guizos tilintantes. Ele nos olhará nos olhos e nos perguntará: 'Quem somos? De onde viemos?'."

 ...

"-Você sabe o que a sua avó me disse um dia? Ela disse ter lido na Bíblia que Deus está lá no céu e ri
das pessoas que não acreditam nele.
- E por quê?- perguntei. Perguntar era sempre mais fácil do que responder.
- Muito bem...-começou meu pai.- Se há um Deus, que nos criou, então de uma certa forma somos "artificiais" aos seus olhos. Falamos besteiras, discutimos e brigamos entre nós. Depois nos
separamos e morremos, compreende? Somos superinteligentes: sabemos construir bombas
atômicas e foguetes para ir à Lua. Mas nenhum de nós se pergunta de onde veio. A gente
simplesmente se contenta em estar por aqui, dividindo com os outros este espaço.
- E é nessa hora que Deus ri de nós?
-Exatamente. Se nós fôssemos capazes de criar um ser artificial, Hans-Thomas, nós também iríamos rachar o bico de rir se esse ser artificial saísse por aí falando um monte de bobagens sobre os índices
da bolsa de valores ou sobre corridas de cavalos, por exemplo, sem se perguntar a coisa mais simples
e mais importante de todas: "De onde é que eu vim?".
E foi exatamente o que ele fez antes de prosseguirmos viagem:
- Devíamos ler mais a Bíblia, meu caro. Depois que Deus criou Adão e Eva, ele ficou andando pelo
Jardim do Éden, observando os dois. Verdade... Ele ficava atrás de arbustos e árvores, observando direitinho tudo o que os dois faziam, entende? Deus não conseguia tirar os olhos deles, de tão
fascinado que estava com a sua criação. E não o critico por isso. Não, não... posso entendê-lo muito
bem!"

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

there's no place like home

É irrefutável que sair de férias é muito bom! mas voltar pra sua cama, seu travesseiro, também é ótimo!
Essa foi a maior lição que aprendi nos últimos meses do ano que acabou: como é bom voltar pra casa.
Sim, acabei de voltar para casa fisicamente, depois de uns dez dias em Curitiba. Mas o voltar pra casa que realmente foi gostoso é se sentir em casa com as pessoas, com as situações.
Eu venho tentando me adaptar às pessoas, às situações, e sabe, me estrepei, ouvi tanta merda, me envolvi com tanta bosta, que desisti de me adaptar e dane-se: prazer, sou chata mas sou de verdade e tenho preguiça de tentar te agradar.
Com essa importante decisão eu encontrei meus queridos "chatos", que não me cobram coisas ridículas, que me oferecem coisas novas, partilham conhecimentos e ideias. Por isso digo: como é bom voltar pra casa.
Minha antiga terapeuta dizia que eu me associava demais com pessoas muito diferentes de mim. isso é complicado porque eu fico com aquela sensação de intrusa, de esquisita o tempo todo.
Realmente, é absurdamente incômodo.
Acontece que sendo eu mesma, a vida fica meio insólita, porque eu sou muito nerd, esquisita e mala. Mas devo dizer que aqueles que ficam são os de verdade, poucos sim, mas maravilhosos e não me arrependo.
Tenho vergonha das antigas associações, das pessoas burras e vazias que não me acrescentaram nada, só sugaram energia vital. Mas com essa lição aprendida eu voltei pra casa.
Para o abraço delicioso dos meus queridos. Para as piadas nerds dos meus amados, para os rockeiros de verdade que entendem sobre o que eu falo, lêem nas entrelinhas das minhas frase: ou tentam porque sabem que tem.
O que o ano velho me ensinou foi que associar-se com pessoas ricas, enriquece. Associar com pessoas pobres, você enriquece a pessoa e empobrece a si... lei da física... tudo é troca e você vai adquirir um pouco de mediocridade.
Sim! Eu me acho mesmo porque sei quem eu sou e odeio falsa modéstia. E sim! eu tenho casa pra voltar, eu tenho abraço pra descansar, eu tenho meus esquisitinhos para amar! E nenhum lugar no mundo é tão bom quanto o lar!

There's no place like home
There's a little white porch
And you wanted it so
And you let me go down
To the end of the road
And the black and the white
A technicolorful life
Can I stand by your side?
We can make it alright
Like home
...
What I want from this world
What I wanna resolve
When I want you to stay
So I want you to wait
I don't wanna be bold
I don't wanna be cold
I don't wanna grow old
I wanna go home!