segunda-feira, 23 de abril de 2012

skullism


caveira feia, nem gosto dessa, mas blz! ahah

Não recebo simpaticamente a pergunta: o que caveirinha significa? E olha que eu escuto isso muitas vezes ao longo ad semana.
Eu amo caveirinhas, todo mundo sabe, muita gente pergunta o que significa e eu em minha profunda simpatia tenho vontade de ser muito estúpida, mas sou um pouquinho só.
Mas vamos lá, o que significa caveirinhas.
Depende da cultura. Por exemplo, aquele gatinho japonês é pra dar sorte, se for preto dá azar em outras culturas... é só gatinho pra mim.
Eu não acredito em amuletos. Nem pro bem, nem pro mal. Acho escapulários fofíssimos, mas não acho que protejam de algo, acredito que a sua fé o faça. Não acho que símbolos da nova era e pentagramas e blablabla possam trazer equilíbrio ou desequilíbrio.
Acredito que símbolos passam mensagens sobre você, acho que só.
Caveirinhas. Basicamente elas significam morte. Elas estão estampadas em portas de salas de eletricidade, de equipamentos inflamáveis, de linha de trem, veneno mortal. Então onde está desenhado uma caveirinha, leia-se: perigo de morte.
Ui, eu sou um perigo pra sua vida! Não, não é isso pra mim ainda.
Se você não sabe, tem uma caveirinha dentro de você, um esqueleto inteiro. Você tem um crânio que guarda seu cérebro, e um esqueleto inteiro que te sustenta e auxilia nos seus movimentos, um mecanismo fantástico. Acontece que quando a gente morre, nossa pele, nossas entranhas, tudo que é mais hidratado da gente é devorado rapidamente pelos bichinhos comedores de defuntos, daí sobram os ossos. Aí fica lá a caveirinha de quem já morreu há algum tempo.
As pessoas usam desenhos de coração e todo mundo acha lindo!
Quem me vê com minhas caveiras acha que eu sou rockeira ou muito poser. As duas coisas!
Não cultuo a morte, não faço rituais para os que já morreram, mas nem faço aquela coisa católica de rezar para os mortos, sabe! Mas eu gosto da morte (pronto, polemizei). Não que eu queira morrer, não que eu deseje a morte dos outros, mesmo porque morrer é inevitável e é bem chato pra quem fica (ainda não sei como é pra quem morre).
Sabia que você não é imortal? Pois é... você não é. E digo mais. Uma coisa é você saber que vai morrer, outra coisa é você descobrir que vai morrer, tipo receber a noticia que tem uma doença sem cura. Muda muito. Ou quando alguém muito próximo e querido morre. Não é agradável.
Costumo dizer que quando meu papis estava doente a gente acordava com a morte, tomavamos café com ela, sentávamos no sofá com ela. E ela não é má, só é pesada, mas ela ensina muito. Pelo menos a mim ensinou.
A vida pode ser longa, mas pode ser muito breve. E a gente gosta de perder tempo brigando por besteira, guardando mágoa por pouco, só pq o nosso egozinho foi ferido. Em tempos de amor escasso a gente desperdiça amor ao invés de gastá-lo como se deve. Se a gente tivesse a consciência de que vai morrer, talvez subtamente, muito provável que viveríamos como pessoas melhores. Oferecíamos pessoas melhores para os outros. Mas não, a gente ignora a morte, a gente ignora que tudo acaba, a gente tem medo e estigmatiza quem não tem.
Outra coisa que me ensina muito é o versículo: pra mim viver é Cristo e morrer é lucro. Quando se vive bem, meu bem, morrer tanto faz, cumpri minha caminhada e fazer o que... para morrer basta estar vivo.
E isso que tenho a dizer basicamente sobre a morte. Que ela é paradoxal, ela dá uma obrigatoriedade de sentido à vida.
E sem filosofias agora. Gosto mesmo, gosto de misturar caveirinhas com flores porque caveiras são agressivas mesmo e flores suavizam. A morte choca mesmo, e é disso que eu gosto, de chocar. Porque a vida é isso, você disfarça o que quer, finge que não existe o que quiser, e eu ficarei aqui, de alguma maneira dizendo: saiba que um dia morrerá, não importa o quanto você ignore.
Mas mude seu tom antes de perguntar o que você já sabe, mude seu julgamento porque eu pensei diferente do que você e seu pequeno quadrado.
E pensar demais é uma merda, e tolerar seus olhares puritanos, hipócritas e julgadores me é um fardo imenso.
Memento mori!

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