sábado, 27 de dezembro de 2014

no beach to die

O que sobrou foi o pânico, a frustração e os sonhos roubados.
Se eu parei de sonhar a culpa foi minha, mas se meus sonhos mais bobos viraram pó, por que raios deveria me dar ao luxo de sonhar? Parece que doi mais, arrancou minhas entranhas sem piedade alguma.
Hoje decidi não conversar com ninguém sobre nada dentro  de mim, já é difícil lidar com monstros, lidar com a reação hostil que eu gero ao falar sobre é pior ainda. Vou tentar acalmá-los antes que me matem, quem sabe a gente volta a dançar uma valsa novamente...
Deus, já cansei de ser amaldiçoada. Isso é uma condição pra vida toda? Olha, eu tento forçar as lições que aprendi pro lado bom, mas ugh, tem sido tão difícil sobreviver.
Estranhamente voltou à mente que queria ser princesinha. Mas quem nasce pra bruxa vagabunda jamais será. Ai de mim que desacreditei de tudo cedo demais, e parece que a vida já acabou cedo demais... ou sem muita resposta de que algo foi bom. E o que foi bom me atormenta como esses demônios que nunca dormem e fazem festa em torno de mim.
De que adiante crescer e passar por tudo, pra depois de já estar exausta ver que a terra era só ilusão e eu preciso nadar mais ainda. poderia ter deixado pra lá.
Meu desejo mais profundo é de nunca ter existido, seria bem melhor não ser nada realmente não o sendo. Nunca ter pisado nessa terra maldita.
Desculpa, mas me faltou amor, devo dizer que tive o necessário pra sobreviver, mas faltou amor, sobrou uma mor esquisito e peculiar. Todas as tentativas de encontrar isso fora foi pior... vomitaram na minha cara e ainda fede.
Eu poderia deletar o que passou? Eu poderia, pelo menos, zerar os pontos e recomeçar? A bagagem pesa demais... eu só queria fugir, desistir, sumir.

domingo, 7 de dezembro de 2014

just a dance

Ela vivia a de rascunhos... tudo que escrevia era rascunho para, quem sabe um dia, terminar. Seus desenhos eram rascunhos de algo que pudesse, quem sabe um dia, realizar. E todas suas vivências na verdade eram todos planos para, quem sabe um dia, concretizar.
A bailarina na parede carregava uma adaga, não tinha rosto e foi pintada com sangue, mas já está seco, um bordô quase marrom. Aquele sangue seco que ninguém mais duvidaria que era só tinta, ou que era só uma bailarina... como se uma bailarina pudesse ser SÓ uma bailarina...
Cada uma delas, inclusive aquela em especial, aprendera a dançar com graça apesar da dor, mostra ao público leveza quando na verdade usa muita força e seus joelhos doem, e os dedos estão destruídos, e sua sapatilha de ponta é das piores.
Aquele homem muito simpático costumava segurar sua mão, e ele significava a dor e o conforto, a morte e o afago.
Ela vem dançando com o demônio e ela amadureceu assim, não há o que se possa dizer quanto a isso.
dark
Como julgar a arte que você não entende? A dança que você não sente ou a experiência que não teve?
Tanta graça e beleza, na verdade, só fazia morrer por dentro... gritar o desespero em silêncio.
Não há socorro, não há salvação.