Estou me sentindo no livro “ A menina que roubava livros”... na história contada pela morte.
Aqui não é exatamente uma guerra, mas caminhamos entre mortos que não podem ser velados. Quem não morre, mas foi atingido, precisa de um esforço extra pra se recuperar.
E quem não foi atingido, ou está alienado, ou com um aperto no peito.
Respeito ao ceifador... mas sua presença engrossa meu ar. Me deixa sem ação, me faz questionar o valor da vida, a razão dela ou o que eu devo fazer amanhã... e isso não é exatamente bom ou ruim.
O que eu vou fazer amanhã faz algum sentido diante de tudo isso?
Mais cedo eu estava planejando gastos pro natal. Procurando decoração pra comemorar meu aniversário sozinha... de novo. Se formos pensar que hoje a vida está mais incerta do que estava há dois anos atrás, planos de longo prazo que antes era uma obrigação ter o trajeto já desenhado até 5 anos, hoje eu acho uma ousadia misturada a perda de tempo.
tempo... outra coisa bem estranha. teoricamente estamos com mais tempo, por outro lado, a sensação é que ele se esvai mais depressa, mais inútil, mais vago...