sábado, 27 de dezembro de 2014

no beach to die

O que sobrou foi o pânico, a frustração e os sonhos roubados.
Se eu parei de sonhar a culpa foi minha, mas se meus sonhos mais bobos viraram pó, por que raios deveria me dar ao luxo de sonhar? Parece que doi mais, arrancou minhas entranhas sem piedade alguma.
Hoje decidi não conversar com ninguém sobre nada dentro  de mim, já é difícil lidar com monstros, lidar com a reação hostil que eu gero ao falar sobre é pior ainda. Vou tentar acalmá-los antes que me matem, quem sabe a gente volta a dançar uma valsa novamente...
Deus, já cansei de ser amaldiçoada. Isso é uma condição pra vida toda? Olha, eu tento forçar as lições que aprendi pro lado bom, mas ugh, tem sido tão difícil sobreviver.
Estranhamente voltou à mente que queria ser princesinha. Mas quem nasce pra bruxa vagabunda jamais será. Ai de mim que desacreditei de tudo cedo demais, e parece que a vida já acabou cedo demais... ou sem muita resposta de que algo foi bom. E o que foi bom me atormenta como esses demônios que nunca dormem e fazem festa em torno de mim.
De que adiante crescer e passar por tudo, pra depois de já estar exausta ver que a terra era só ilusão e eu preciso nadar mais ainda. poderia ter deixado pra lá.
Meu desejo mais profundo é de nunca ter existido, seria bem melhor não ser nada realmente não o sendo. Nunca ter pisado nessa terra maldita.
Desculpa, mas me faltou amor, devo dizer que tive o necessário pra sobreviver, mas faltou amor, sobrou uma mor esquisito e peculiar. Todas as tentativas de encontrar isso fora foi pior... vomitaram na minha cara e ainda fede.
Eu poderia deletar o que passou? Eu poderia, pelo menos, zerar os pontos e recomeçar? A bagagem pesa demais... eu só queria fugir, desistir, sumir.

domingo, 7 de dezembro de 2014

just a dance

Ela vivia a de rascunhos... tudo que escrevia era rascunho para, quem sabe um dia, terminar. Seus desenhos eram rascunhos de algo que pudesse, quem sabe um dia, realizar. E todas suas vivências na verdade eram todos planos para, quem sabe um dia, concretizar.
A bailarina na parede carregava uma adaga, não tinha rosto e foi pintada com sangue, mas já está seco, um bordô quase marrom. Aquele sangue seco que ninguém mais duvidaria que era só tinta, ou que era só uma bailarina... como se uma bailarina pudesse ser SÓ uma bailarina...
Cada uma delas, inclusive aquela em especial, aprendera a dançar com graça apesar da dor, mostra ao público leveza quando na verdade usa muita força e seus joelhos doem, e os dedos estão destruídos, e sua sapatilha de ponta é das piores.
Aquele homem muito simpático costumava segurar sua mão, e ele significava a dor e o conforto, a morte e o afago.
Ela vem dançando com o demônio e ela amadureceu assim, não há o que se possa dizer quanto a isso.
dark
Como julgar a arte que você não entende? A dança que você não sente ou a experiência que não teve?
Tanta graça e beleza, na verdade, só fazia morrer por dentro... gritar o desespero em silêncio.
Não há socorro, não há salvação.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

nightmares

Tenho raiva de quem sonha e faz de tudo para realizar um sonho. Acho tão babaca quem precisa que os outros participem dos seus sonhos.
Que tipo de monstro eu sou? Desses que roubaram todos os sonhos, que teve todas pequenas viagens ridicularizadas pelos senhores da vida?
O que sou eu? o que restou de mim? O que é alguém sem sonho? Os demônios me tiraram pra dançar e o tempo todo a culpa foi minha. Agora estou tonta e sequer sei onde eu estou... e a culpa é minha.
Sinto que enxergo melhor que todo mundo, e isso me aterroriza, queria ser burra assim como vocês, babacas assim como vocês que sonham, que machucam os outros em função dos seus mimimis, de repente me sentiria menos monstro...
Calem-se.... enquanto não calçarem meus sapatos não permito que pensem uma palavra sequer para me julgar... não, não teve nada de fácil por aqui.
Por que vocês não somem? Por que vocês não me deixam sumir de vez?

sábado, 1 de novembro de 2014

Boucing

Sou um quarto de mim. Na verdade mal sei se eu sou eu ou que raio será que eu sou.
Gostaria de dizer que desenho, mas não sou boa nisso. Gostaria de dizer que eu canto, mas não sou boa nisso. Gostaria de dizer que escrevo, mas tenho falhas graves com isso. Queria dizer que falo muito bem inglês, mas sequer consigo passar numa prova de proficiência. Gostaria de dizer que sou boa amiga, mas sou relapsa e esquecida. Mal costuro, mal cozinho, mal toco, mal canto, mal desenho, mal amo...
Queria mesmo poder ser alguém que se vira muito bem, dona de si, segura do que faz, que faz o que deseja, corre atrás dos sonhos. Mas sei lá, perdi algo não sei onde.
Eu enxergo, eu ouço, mas parece que estou em coma, estática... Paralisada.
Sei onde quero ir, mas estou tonta, não sei como chegar.
Só segura minha mão? Já começa a fazer sentido... Algum coisa em algum lugar 

domingo, 26 de outubro de 2014

black and white

Alguém drenou minhas forças...
Não costumava ter esperança, mas parece que dessa vez ela foi sufocada.
Tive que guardar todas as tintas, esconder todas as cores dentro do guarda-roupa, como se isso que sempre fui fosse finalmente decretado vergonha soberana.
Mas nada me segura de entrar no guarda-roupa e me lambuzar das minhas cores, naquele sopro de tempo onde eu posso ser feliz... ficar finalmente de pés descalços...
Mas ainda não descobri como lidar com essa vida de ser o que querem que eu seja, queria que Deus tivesse tido misericórdia de mim antes de chegar no mundo. Não sou uma coitada, sou estúpida mesmo.
Nada me tira da cabeça que minha vida são aquelas tintas coloridas, porque tenho que aceitar o preto e branco da tv?

terça-feira, 8 de julho de 2014

lost between elvis and suicide

Apesar das Barbies, não queria voltar a ser criança.
As flores de plástico não morrem, mas não sei porquê da imortalidade. A possibilidade de ser breve gera uma sensação de urgência. Valorizamos mais a existência, a breve passagem.
O tempo urge, a saúde urge. E no fim, se fui cautelosa demais pode não ter valido a pena. Como doi pensar que pode não valer a pena.
Definitivamente não sei o que é certo. Vivi para agradar e nunca consegui, muito pelo contrário. Tenho uma profunda sensação de desapontamento. Desaponto as pessoas que amo, e a mim.
Hoje é muito nítido que valorizo mais a opinião dos outros do que as minhas próprias vontades.
É por isso também que não quero ter filhos... pra que? atormentar outro ser humano com uma série de dúvidas e expectativas e no fim ser só frustração.
Não tenho coragem de terminar as frases, nem para quem merecia ouvir todas as palavras do começo ao fim. Porque sei que minhas palavras são pesadas e as pessoas me odeiam na sequência... são pesadas para guardar também... só pra constar.

Now I'm lost somewhere
Lost between Elvis and suicide 
Ever since the day we died, well
I've got nothing left to lose
After Jesus and Rock N Roll
  Couldn't save my immoral soul, well
I've got nothing left
I've got nothing left to lose

Callin' out sins just to pass the time
My life goes by in the blink of an eye

Definitivamente não compreendo como ser um ser pensante e  ser obrigada a seguir uma receita de bolo ao mesmo tempo. Ou sou uma boneca de ventríloquo ou sou do demônio encarnado. Não entendo essa lógica.
Isso não parece justo para mim... Mas como fujo disso? Como quebro? Há meios?

I'm falling all over myself
Trying to be someone else
I wish you were there to walk me home
So I wouldn't have to feel alone
I'm falling all over myself
Dying to be someone else
I wish you were there to walk me home
I don't wanna fight the world alone
I don't wanna fight the world alone

Odeio ter feito planos por mim mesma, porque eles parecem impossíveis ás vezes. Desejar e nunca chegar doi mais do que a mediocridade de viver o que foi sonhado pra você. Os sonhos dos outros sobre você, asexpectativas dos outros sobre você. Nunca serei boa o suficiente pros outros... muito menos pra mim.
Quem mandou ser tão estranha? Quem mandou querer ser tão diferente?
Na real? Não faço ideia...

sexta-feira, 23 de maio de 2014

dizzy

O nino e a amelie, as fotos e os trabalhos. Os traumas. As paixões e as saudades. As lápides, as flores. O dinheiro e a falta dele e o álcool e as drogas e a falata delas.
A chuva.
A lomografia e as árvores. Os crimes varridos pra debaixo do tapete e os sonhos em cacos. As asas. A dor.
O vôo.
O abraço e a liberdade.
O amor que transborda.
O amor.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

sick

Because i ignore your lessons
I choose cry for my sins
But only for those I made
I choose to learn by walking
and ican't tell you what i found here

Yes, I got blind
Yes, i've been hurt
But i'm not asking your pity,
I'm just telling you i can handle them
so let me go

Today i woke up creep
Creeper than other days
There's a fire inside me
Sometimes i feel warmer
other times freezes me

I feel myself becaming insane
I got a pile of feelings i can't tell
It is not terrible
I'm just sick
I need to scream
But here is not possible





terça-feira, 29 de abril de 2014

Oh sweet Susana!

Passei pouco mais de uma semana sem tomar a medicação que controla minha insanidade, e de verdade, como eu sou descontrolada!
Agora não sei o que é melhor, a sobriedade ou não. Sob efeito das drogas ou não. Eu continuo eu, mas parece que sem elas eu penso mais, e isso sim é uma droga!
Como paralelamente eu perdi o emprego e apesar de começar a fazer coisas legais, fiquei em casa o dia todo, longe de um monte de gente. Vixi! minha loucura foi potencializada. Como procuro fazer normalmente, tentei não surtar, não mimizar demais e talz. Dizem que não tem problema de mimizar com os amigos porque eles vão continuar do seu lado mesmo assim- não, isso não é verdade, então se controla!
E continuo confusa até pra escrever aqui agora. Como eu vejo as coisas, como eu vejo elas acontecerem.
As pessoas surtam comigo, me cobram de coisas, e eu fico mal, tenho febre, me tranco no banheiro pra chorar, mas foda-se né.
Aí eles fazem aquela atrocidade que eu fiz com eles, comigo. E eu não tenho o direito de falar, e imagina que é atrocidade! todo mundo tem coração bom.
Uma vez tinha a liberdade com um amigo, quando falei quase tudo, ele disse que não dava mais pra ser meu amigo. A maior punhalada ever! mas foda-se! é só a grossa da Susana mesmo.
As pessoas podem esquecer de me incluir na lista dos eventos, aí eu vou lá, faço terapia e entendo que as pessoas não me amam do jeito que eu acho que deveria, mas me amam do jeito delas... e outra quando envolve logística e grana, amor não tem nada a ver mesmo. Mas quando eu não dou lugar de destaque a qualquer uma dessas pessoas, pronto! "Susi má, Susi ogra, sua vaca velha sem coração! eu te amava".
Piadas sobre minhas próprias mazelas te ofendem, os convites que ainda não entreguei pra ninguém- nem pra você, ofendem; ser quem eu sou e não quem vocês gostariam que eu fosse, também ofende. Agora você não ofende ninguém né, não você é sensível. eu que não tenho o dom.
Na boa, acho que nossas mágoas são culpa nossa mesmo. Vão cagar na sua cabeça o tempo todo, a escolha é sua o que fazer com a cagada. É mais fácil viver relevando as coisas, mas não, você não é cristo nem mártir algum por fazer isso, é só inteligência mesmo. Sim, estou te chamando de burro caso foque mais nos probleminhas do que nas coisas positivas.
A vida é curta, sabe, e as pessoas não são posses nem podem ser controladas, nem seus filhos nasceram pra cuidar de você quando for velho- se esse é seu pensamento, desculpa, mas vocês são uns porras egoístas.
As coisas mudam de dentro pra fora. Aprenda, e isso é muito sério: VOCÊ NÃO TEM CONTROLE NO RESTO! Culpar fulano porque falou grosso, seu chefe porque foi estúpido, sua mãe porque fez escolhas erradas não vai mudar sua vida- não tô falando que eles estão certos, mas entenda que não são seus inimigos, se fazer de vítima da enjoo. Basta né! Que tal entender que eu amo sim, que tal aprender a amar, que tal entender que NINGUÉM é responsável por você e foda-se Saint Exupéry nesse caso, que tal aprender que você também fere e ahhh como fere os outros, que tal perdoar? Tá, ficou difícil! mas tudo é treino, é prática, comece e só.
Você só pode mudar aí dentro, isso sim vai ser significativo, isso sim vai aliviar seu coração.
Agora posso culpar vocês? To tentando ser leve e largar as drogas, mas com vocês a minha volta agindo feito criancinhas o tempo todo, fica difícil.



quarta-feira, 9 de abril de 2014

my private place


in my private place i'm selfish
i mean, more selfish than outside
please, only enter when i say to do
in my private place i pretend to be strong
i really don't care 'bout anything

I've built it all alone
along years, tears and smiles
in my private place i'm whole
and i dont need to prove anything
i'm free and fresh and me

i used to look at you
from here inside
i see you walking as i use to do
i see you talking and breathing
in a way that hypnotize me

i let you in i let you in
into my private place
i let you in i let you in
take a piece of me
i'll still be whole here

your smell matches with my garden
and your clothes be cool by my side
i guess your t-shirt will be best on me
i prefer your arms than my pillow
warm me

i let you in i let you in
into my private place
i let you in i let you in
take a piece of me
i'll still be whole here

it is an invitation
i know i told i dont like be visited
but you, only you can enter here
into my private place
i know you won't be scare
i know you will understand
the corners inside me

i let you in

terça-feira, 1 de abril de 2014

Ninguém merece ser estuprada!

Dia 08 de Março foi o Dia Internacional da Mulher, eu tentei escrever algo, mas deu sono e nunca acabei um texto.
Dia 27 de Março, uma pesquisa do IPEA revela que 65% da população brasileira diz que as mulheres merecem ser estupradas por usarem roupas curtas.
Eu fico profundamente revoltada, não imagina como minhas entranhas se contorcem com isso.

Segundo essa sociedade machista:
Eu mereço ser estuprada por que eu sou linda.
Eu mereço ser estuprada porque sou mais magra que você, esposa.
Eu mereço ser estuprada porque estou maquiada.
Eu mereço ser estuprada porque dei bola pra você, mesmo te achando um idiota depois de 10 min de conversa.
Eu mereço ser estuprada porque meu decote é grande.
Eu mereço ser estuprada porque minha roupa é transparente.
Eu mereço ser estuprada porque você é um pobre coitado sem controle, que não entende que sexo é para envolver duas pessoas, e não pra satisfazer uma só.

Eu sou minha, e de mais ninguém, nem do meu marido, eu sou minha, meu corpo é meu.
Assim como você é seu e seu corpo também. Não sei porque é tão difícil de entender.

Nana Queiroz está encabeçando a campanha “Eu não mereço ser estuprada”. Com isso recebeu dezenas de ameaças de estupro! Hilário se não fosse trágico e deprimente.
Essa é nossa cultura, é disso que nossa sociedade é feita, de homens e mulheres que não compreendem seu valor e o do próximo.
Mulher se dar valor não é usar a roupinha comportado o sapatinho usaflex e sequer olha pro lado. Mulher se dar valor é saber que ela é a única senhora de si, e vai fazer o que quiser consigo mesma.

Acho que a mulherada machista, fala que mulher de roupa curta deve ser estuprada porque talvez morre de vontade de usar um top cropped, mas fica parecendo um sonho vazando recheio. querida, você é linda, só saber o que ressaltar e saiba que não é rebaixando os outros que vai conseguir.

Me revolta tanto saber que a maioria continua muda, continua se sentido culpada por ter sido violentada, me dói a alma saber que a maioria é conivente com isso e acha que o feminismo é falta de pinto. Me dá mais tristeza por notar que é um câncer enraizado na sociedade que estuprar é tão comum e muito mais aceito do que se pensa.

Prova de que a roupa não é a culpada, são as islâmicas que usam burca e exibem um sexy e perigoso rímel... oi? ora por favor! Numa boate que mulheres dançam nuas, elas dançam para o público ver, e só. Não que elas estejam loucas para dar, e se estiverem mesmo elas vão procurar alguém que elas queiram que também a queira.

sexta-feira, 28 de março de 2014

wrap

Hoje acordei tatu bolinha
O mundo ta frio e eu quero me encolher
O mundo não me agrada, me assusta, me constrange
então quero me encolher

Quero me enrolar em mim mesma
e respirar meu próprio ar
quero me fechar aqui dentro
sentir a segurança que só eu sei dar
dessas que você não precisa esperar nada de ninguém

Eu sei que minha carcaça não é resistente
eu sei que enrolada ou não, continuo frágil
mas hoje acordei tatu bolinha
e mentalmente, me enrolar deixa segura

E aproveitando que o coração tá apertadinho
Vou me enrolar numa bolinha
quem sabe ao desenrolar
chego a um lugar mais quentinho

Talvez nem me desenrole,
quem sabe eu goste mesmo do aperto e do rolo
mas hoje especialmente acordei assim
um tatu bolinha

every end a new begining

Lembro de repetir essa frase constantemente: ainda vou rir muito de tudo isso. Fato é que eu contava pra mim uma grande mentira. Não posso prometer nada para o futuro, não tem como garantir as condições posteriores, a única coisa que eu sei é que tudo passa, tudo muda. Pode ser que não ria de nada disso, mas certamente em algum momento vai incomodar menos.
E é verdade, ainda não consigo rir, e acho que jamais irei rir, no máximo sorrir, afinal de contas foram nessas pedras que pisei até chegar aqui, escorregadias ou não, foram elas que me sustentaram.
Talvez as experiências apenas tenham me tornado mais horrorosa. Não, eu não acho nada disso. Só acho que eu não acho nada disso que vocês acham normal, normal.
Não dá pra se proteger das ondas nem dos ventos, se você o fizer perderá a chance de ser entalhada. E se isso que é horrível sou eu, é uma questão de gosto estético, porque as ondas e os ventos me fizeram assim, mas sabe, continuo em pé.
Ás vezes estendo minha mão, ás vezes seguro a sua mão bem forte. Confesso querer te abraçar muito apertado para ficar mais segura e não te deixar ir nunca, mas a verdade é que por mais que nos apoiemos,só estamos de passagem, a gente precisa concluir certas coisas dentro de nós, conosco mesmos. São os dias no deserto.
Nada é para sempre, nem minhas banhas, menos ainda minha magreza. E todo o contexto, nem meus pais. O que fica é só a memória, a satisfação e a dor de momentos. E a vida no fim é isso, uma colcha de retalhos, um álbum de fotografias, cada pedacinho é cosido por vez com os risos ou as lágrimas daquele momento, e só por isso ele já é muito importante.
Quando nos cruzarmos de novo, estenderei minha mão, só para poder pular algumas pedrinhas com você, e quando for hora de ir, quero apenas ficar feliz por ter passado um tempo com você. Espero que guarde boas lembranças também. que enriqueça por dentro também.
Não que eu comece algo pensando no fim, mas o fim é inevitável e não quero ser triste por isso.

segunda-feira, 24 de março de 2014

and don't you forget to smile

I was born in a place
where women wash the dishes and cook the dinner
where men work out of home,
and return to drink, eat, smoke and fuck
The place i was born
The women work out of home too
Even working a lot for everybody else
but herself
The women are fragile and impotent.

I was born in a place
Where we only be happy with a man by our side
even when those girls don't like men.
The place I was born
The liers are the best
the girls must marry virgin
they must to marry
they must to have children
they must to work hard
they must to study
they must to be pretty
they must to be slim
they must to not spent all her money with herselves.
and don't you forget to smile

The place I was born
The girls can be raped, but those girls are guilty
We must to be pretty, but we can't be too much pretty
I was born in a place
where girls marry in white
There's no party without flowers
Where girls can't drink beer
where your husband fall in love for other girl
and she is the sinner

I was born in a place
where I would like to change
where I don't match
Where I moved by revenge
because they caged me
The place I was born
has no a minimum of sense
and i am the lunatic
cause i do not agree with that.

and don't you forget to smile

quinta-feira, 20 de março de 2014

so mad here

hoje estou assim
queria minhas tintas, pintar a cara a parede e papéis
queria tesouras e papéis coloridos e tecido
e agulhas e pincéis e pedrarias
queria o chão do meu quarto
queria lápis coloridos, canetas e giz
queria fotografia
e roupas
e arte
ai meus poros choram por arte
de qualquer forma
nada disso importa muito...
sigo servindo ao sistema.


terça-feira, 18 de março de 2014

pillow poetry

Os cometas não passam sempre por aqui, se passam nem sempre se pode ver
E não é porque não se vê que lhe negam a existência
E essas estrelas todas mortas só tornam tudo mais poético
E de repente eu quis devorar toda poesia e todo som
toda fúria do vento e todo torpor do céu
como se sentisse sede, mas não aguentasse mais beber
queria saber explicar essa ânsia

Queria devorar tudo, tomar posse
Como se pudesse fazer fusão de dois corpos que não ocupam o mesmo lugar ao mesmo tempo
A supernova que assisti me cegou um pouco
ou talvez já estivesse cega antes
e tanta luminosidade me distraiu do foco
ou talvez sequer havia foco

Mas mergulho e tem um sabor bom
a temperatura é agradável como águas termais
que fazem flutuar a alma e acalma a mente
não me interessa meu valor ou o que usa para medir
nem me importa seus valores ou o que o faz para medi-los
devoro todo o resto, todo aquele ser que de fato é seu
toma isso que sou eu

Esse eu que escondo do mundo, que ninguém vê
Que meus tons que só eu acredito que combinam
Meus tortos e escrotos que são tão perfeitos pra mim
Quero o tóxico do seu ar, pq esse tóxico me deixa em paz
é o travesseiro depois de um dia pesado
o abraço, o beijo molhado, o afago, tudo, sem precisar dizer nada

basta olhar
o olhar...

quinta-feira, 13 de março de 2014

the witches and the tears

Não sei como é sua vida. Sempre vi a vida através dos meus sentidos, até posso me colocar no lugar dos outros, mas sempre haverá a influência da minha experiência.
Pra mim, a vida sempre foi uma guerra.
Nasci de coturno sem saber o que ia acontecer. Depois de tanto apanhar entendi que deveria bater. Não tenho noção de quão forte pode ser, porque se fosse em mim, eu aguentava.
Costumo comentar situações fazendo paralelos com contos-de-fadas. Especialmente porque vejo que é muito forte a influências desses enredos na vida das pessoas. As pessoas vivem em função de uma amor pra vida, um príncipe encantado. Com isso me coloco no lugar de bruxa. O que não acho de todo ruim, porque são elas que dão movimento à história, são elas que levantam questionamentos e provam as pessoas, são os embates que nos faz mais fortes, que nos faz crescer.
O problema é que apesar desse paralelo, a vida não é feita de bons e maus, certos e errados, há adequação, pode até haver um lado certo, mas normalmente não se tem todos os fatos para julgar.
Me colocar como malvada é um equívoco.
Choro e sangro como todo mundo, a diferença é que aguento mais. E diferentemente das princesas, a bruxa chora sozinha rodeada de corvos. E qualquer um que assista pensará que deve ser um teatro, ou que ela de fato merece.
O interessante é que princesinhas não estão muito longe, mas o choro delas são mais valorizados, os erros delas são mais facilmente perdoados, isso sim é injusto.
E a bruxa aqui possui coração também, também tem frio e um útero que contorce. Ela não precisa ser princesa, mas ser vista naquele vestido rosa ridículo e ser mimada por todos seria bom ás vezes, só pra descansar das bombas pra variar.
Não sei se devo ser tão conformada assim, mas tem gente que nasce pro trono, tem gente que nasce pra guerra.

terça-feira, 11 de março de 2014

at the mirror

i know your weaks
you know mine
we spunk each other
we hurt each other
i know your virtues
you know mine
we use to love each other
but always will exist the proud
always we have our own paths
and discrepancies
you acuse me to beat hard
i acuse you to be selfish
at the end i can only see
two thinkers that are the same.

you say you try to show me your point
i say i try to accept it
you say my unability hurts
i say your ordinary choices hurt me too
no matter how much we talk
we are different points of sight
but at the end, my dear
we are exactly the same.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Marriage? OMG!

Já sonhei com meu casamento. Já sonhei casar feito princesa e ter minha primeira vez na noite de núpcias com meu príncipe, depois sonhei com meu sapo. Depois desencanei.
Desisti de casar porque é caro, porque precisa de homem (no meu caso, que sou hétero) pra isso, porque dividir a vida com alguém é algo muito sério. E eu não sei ser séria.

Quando informei do meu casamento, invejosas já vieram me cutucar com um discurso princesinha, porque agora eu atingi meu "objetivo de vida". Ai gente! Choquei, tive que ser grossa e dizer que não, é muito imbecial acreditar que casamento é objetivo da vida.
Ok, sei lá o que se trata esse tal de objetivo da vida. Acho que meu objetivo é ser uma pessoa melhor, é cavocar as possibilidades da existência... mas "sei lá" de verdade.
Sei que definitivamente, casar não é objetivo:
• Porque eu acho isso tão conto de fadas, do tipo onde há fadas que voam, e um excesso de cor-de-rosa que me dá enjoo.
• Porque eu sei que sou muito mais foda que muito homem por aí, então essa visão machista de "preciso casar" não encaixa na minha vida.
• Porque tenho preguiça dos mimims masculinos
• Porque adoro minha cia e amo poder ouvir minhas músicas e gastar com sapatos, é, sou egoísta.

Então porque raios, Susana, você vai casar? sua usurpadora de sonhos!
Ahah
Vou casar porque meu noivo é meu melhor amigo, não porque ele é o amor da minha vida (não que ele não seja, mas isso deve ser consequência da nossa amizade), porque a gente se encontra num momento muito realizado individualmente e juntar as nossas escovinhas não é cor-de-rosa, é colorido. E porque a gente adora uma festa.
Não que não sejamos românticos, não repudio o romance! muito pelo contrário! A gente vive muito romance, fizemos uma tattoo com o mesmo símbolo, a gente viaja nas músicas que nos embalam, mas mais do que tudo a gente curte muito a vida separados, mas preferimos fazer isso juntos. A gente se respeita, a gente se permite, a gente é livre e não queremos nos amarrar, queremos criar nosso mundo, ser parceiros, amigos, amantes.

Não sou princesa, ele não é príncipe, nossa vida não acaba com o casamento - viu, amigos babacas que montaram o grupo RIP Will-, a vida não é nosso umbigo, mas nosso umbigo é o melhor lugar do mundo agora.
Ah, sei lá, sou prática, e gosto desse sabor real de felicidade, de curtir o momento.
O doce, o azedinho, o salgado, um banquete inteiro de sabor, não o docinho meladinho que enjoa e perde o sabor desses romances que prometem mundos, mas um dia vomitam na cara a realidade.

Amo nosso banquete colorido, amo nossa vida louca e real. E muito real.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

shut up and hold me

Não vou olhar no dicionário para falar da definição de uma palavra a partir de um dado oficial. Quero falar abertamente, empiricamente, do jeito que vier na minha cabeça.
Tema de hoje: abraço.
Sei lá, talvez eu tenha sido adotada e tenha vindo de uma família que batiam em mim, ou talvez devo ter sido abandonada numa mudança e minha família que me criou me achou.Ou talvez tenha só sido criada sob influências alemãs, dessas bem frias.
Não choram, não sentem, não explodem de alegria, e nem abraçam. Imagina! Contato físico! Quanta intimidade!
Fato é que eu amo abraços, mas não tenho coragem, ou sequer fico a vontade em distribuir como gostaria.
Quando me abraçam da vontade de fazer um ninhozinho e chafurdar ali. Assim mesmo como um gatinho safado.
Mas eu me comporto muito bem, e não saio me confortando no abraço alheio assim do nada.
Aí ontem eu tava carente num grau crônico destemperado, e eu queria pedir uma abraço. Alguém? Alguém?
Daí comecei a pensar em que bizarrice é minha cabeça!
Passo o dia no trabalho cercada por meus amigos. Tenho colegas de trabalho e tenho amigos muito especiais aqui dentro. Então qual a dificuldade de pedir um abraço? cacete!
Ora! várias! As pessoas que verem isso vão achar o cúmulo! imagina esse tipo de contato físico no ambiente de trabalho quando não se está dando oi, tchau, parabéns, feliz natal! Que coisa triste tolir um abraço inocente.
Talvez tenha mais medo até por não gostar que invadam meu espaço, mas estou falando de conhecidos, de queridos!
O poder restaurador de um abracico é magnífico. De abraço apertado e afagador então! cura até câncer minha gente!
E eu aqui, morrendo de agonia sem coragem de pedir abraço.
O queeee? Susana? Essa aí é de ferro! não chora e só sabe bater! c acha que ela precisa de abraço? dãr
Nha... internet é bom mas não garante abraço e olho no olho.
Estar perto nem sempre permite ficar tão perto assim.
Se eu pudesse dar mais abraços ao longo do dia eu ia ser menos doida e menos agoniada, e seria tão bom dividir o quentinho do corpo de alguém com o meu. E ainda tenho a vantagem de ser pequena e ainda posso ouvir o coração das pessoas. Nhai! É tanta vida que eu até piro de alegria.
Susi não é de ferro, é dessas bem Amelié Poulain e adora uns abraços grátis, só é panaca demais pra fazer certas coisas.

"não me delete, por favor"

Esse post contém uma mensagem que não é minha, mas fala bem haha: referência no final.

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.
O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.
Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.
Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.
O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angustia. Filosoficamente a angustia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

bitter

Fico feliz de não ter sido um vento, um papel branco. Fico feliz por ter sido significativa, por ter te mostrado muita coisa. Fico feliz em saber que você hoje é maior e melhor que antes, e fico mais feliz em saber que tem dedo meu no meio.
Mas ao mesmo tempo uma grande amargura bate em mim. Porque eu aguentei seu inferno, mas seu céu vai pra outra pessoa. Por muito menos você dedicou muito mais a uma qualquer.
Eu tentei gritar, te mostrar, te acordar. Mas não fui capaz de fazer isso no meu tempo.
O mais chato de tudo é que eu vi isso acontecer de novo comigo, mas significa muito menos agora.
Porque com você aprendi coisas valiosas como nunca mais deixar pra amanhã, o depois talvez nunca chegue. Aprendi que amor é só mais uma palavra como arroz lágrima ou almôndega.
Aprendi que U2 é a banda pop (metido a rockers) mais ridícula da Terra.
Aprendi o que é se levantar sozinha, o que é costurar as feridas em si mesmo sem anestesia. Aprendi que cristãos são mais blábláblá mesmo.
No fundo fico muito triste de essa ter sido minha parcela de lições, não sei quanto tempo leva pra uma ferida cicatrizar. Acho que superei, mas nada me tira o gosto amargo do tempo perdido, porque isso não volta mais.
Se eu era boa e nobre, hoje tenho outros meios, talvez duvidosos pro mundo, mas estou à frente. Esse é o modo que arranjei pra sobreviver.
Quando se volta do inferno, não dá pra aceitar ser o mesmo outra vez.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

about sex

Da importante tríade: Sexo , Drogas e Rock n' Roll, eu falo bastante de drogas (as minhas lícitas da folhinha rosa), de Rock, agora sexo nem tanto. Então o tema de hoje será sexo! Quero dizer... tipo sexo.
Até gosto de falar sobre, mas sou meio anta no assunto, tão anta que quero falar justamente sobre os outros prazeres tão bons que comparo com sexo, mas que eu aproveito muito mais.
ãhn?
Assim, eu prefiro mil vezes um bom papo do que um bom sexo. Acredito que para o meu cérebro a sensação deve ser a mesma, ou melhor quem sabe! Porque um bom papo pode durar muito mais, e eu posso ter essa relação com muito mais gente! Afinal, sociedade monogâmica, mentalidade monogâmica, não dá pra abusar né.
Mas a conversa é liberada!
E assim como sexo, são raríssimas pessoas que me empolgam pra isso. E quando me empolgo numa boa conversa, posso dizer que meu cérebro tem orgasmos múltiplos.
A boa conversa tem até mais intimidade do que o sexo, porque se abrir tanto assim, ver o outro de guarda baixa pra você, na minha opinião, é o máximo da intimidade. E como amo!
Devo soar como uma retardada nerd falando isso... mas dane-se! acho mesmo! prefiro mesmo!
Relacionamentos legais mesmo são aqueles que envolvem boa conversa, daqueles que vocês viajam e aprendem muito um com o outro, te deixa com aquela sensação de cabelo viçoso, de pele radiante, de saúde e equilíbrio mental e frio na barriga de tanta empolgação.
DE-LÍ-CIA
Pode se matar na academia, desfilar com seus carros poderosos, esbanjar seu dinheiro, mas se não conseguir me entreter com as suas ideias, melhor procurar sua turma porque eu estou aqui ó, bocejando.

Sei lá... acho que eu devia fazer terapia... só acho

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

my precious particular

Normalmente acordo tarde e passo o dia sem maquiagem, só o protetor solar porque eu realmente tenho medo do sol. Eu tenho sardas.
Se acordo mais ou menos no horário consigo assistir o sol nascendo da rodovia. Ele começa o espetáculo bem de frente pra mim.
Hoje eu acordei cedo mesmo, nem consegui ver o sol nascer. Ele deve estar nascendo agora, mas as janelas são fumê e não consigo ver lá fora.
Com tempo sobrando já fui ao banheiro fazer a maquiagem. BB Cream na cara, esfumaça o preto nos olhos. Diga olá para a Susi de cada dia.
Essa que nunca será a funcionária do mês, mas nem liga, basta fazer direito o que se propõe a fazer.
Nerd sem o orgulho nerd... pelo menos não no ambiente de trabalho.
Tudo parece tranquilo e encaixado, mas o mundo é um caos. Susi segue a vida com cara blasé e olho contornado. Dane-se! esse mundo gosta mesmo é do meu batom laranja supertrend.
Hoje não assisti ao espetáculo do sol. Mas eu gosto mesmo de dirigir no escuro e quando as ruas estão vazias e tudo parece que é só pra mim. Tenho medo do sol. Mas amo o show de aparição e de sumiço dele. Mas o que importa? É um prazer desses bem particulares que deleito-me sozinha.
Falando em deleites acompanhada de mim mesma, essa é uma velha máxima da minha vida.
O que toca nos meus fones de ouvido criam uma redoma ao meu redor, minha sala, meu mundo. Não divido porque sei que não apreciam como eu aprecio. Então não quero que olhem com desprezo para meus prazeres. E todo mundo tem o direito de não gostar. Por isso não ofereço convites para entrarem na minha redoma. É meu imaculado espaço. Minha mente, meu buraco negro, meu abraço secreto.
Perto da minha casa tem um caminho estreito que liga o bairro á rodovia. As árvores fazem um túnel pela estradinha e deixam o sol passar bem aos poucos por suas folhas. Tenho a sensação de estar num mundo de duendes e fadinhas roxinhas aladas. Uma pena que hoje há muito movimento de carros... imposível sentar e curtir as fadinhas voando ao meu redor.
De qualquer forma, a tendência é curtir os túneis e o show do sol de dentro do meu carro. Gosto da redoma que ele me proporciona. Embora não seja tão seguro assim, na verdade me sinto mais exposta até. Mas de alguma forma é meu camarote.
Nos meus fones de ouvido fico ouvindo exercícios vocais para canto lírico, e adoro. Certamente se estivesse audível pra todo mundo aqui seria muito ridículo. Mas sigo com fones de ouvido e batom laranja.
Importa o que mostro, o resto é meu deleite particular.
Não me importa participar ou não do mundo de fora, só aqui dentro consigo paz, consigo sorrir meu sorriso banguela e honesto. Pra vocês, meu sorriso conquistado com 6 anos de aparelho nos dentes, clareamento artificial e um batom de boa qualidade.
Passarei o dia na minha tela azul turquesa, mas aqui dentro eu tenho uma explosão de aquarela, com tons pastéis, preto e sangue. Mas ainda é meu, e não tem covites a venda, a porta está trancada, te deixo uma fresta apenas pra espiar, mas de forma que jamais interfira no meu mundo enquanto eu assistir a chuva como se fosse um filme inédito na sua TV imensa de ótima resolução.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

dear 10 years ago susi

Vi isso num site que amo e vou fazer pra mim também. Uma carta pra Susana de 10 anos atrás!
Há 10 anos eu tinha 17 anos, início de 2004.

Querida Susi, aproveite, esse será o último ano tranquilo da sua vida.
1) Fale mais sobre o que você pensa, isso fará você economizar uma baita grana com terapeutas e remédios no futuro.
2) Sim, te acharão insana, mas relaxa, isso nunca vai mudar, nem quando você fingir normalidade. Quanto antes você aceitar que você é esquisita e que isso é legal, melhor.
3) Continue confiando em Deus, continue sendo espiritual, mas nunca seja religiosa, e nunca espere nada de "cristãos", seja melhor que você pode ser apenas.
4) Você é arrogante, mas nunca deixará de ser, porque a maioria das pessoas escolheu ser medíocre. Respeite isso, mas procure os nerds.
5) Cuidado com os nerds, eles não tem muito tato com sentimentos- nem com os seus nem com os deles.
6) Não deposite felicidade em ninguém, nem amigos nem namorados.
7) Não queira casar virgem, quer saber? desencana dessa neura de primeira vez, é mais ridículo que conto de fadas. Um dia você vai entender.
8) Acredite na sua intuição, mesmo quando não parecer fazer sentido algum.
9)Já falei para você se expressar mais? Então, o faça sem medo, sério mesmo.
10) Desenhe mais, nunca pare, vai fazer falta.
11) Estude mais, eu sei que você já estuda bastante, mas de repente você pode conseguir uma bolsa numa faculdade de Moda em SP.
12) Ou não, e vá conhecer outros mercados, outros mundos, junte sua grana e vá estudar moda. Também pode ser bem legal viu. Um dia viveremos disso, prometo! Mas não pare de desenhar.
13) Aproveite suas horas vagas, toque seu violão, vai fazer bem.
14) Alguém sempre tem que ceder, mas não precisa virar uma madalena por isso.
15) Coma muito queijo, no futuro você descobrirá que você tem alergia a algo muito importante.
16) Você é magrela e zoiuda, mas é linda, relaxa e para de timidez.
17) Eu sei que você não usa filtros, mas prefira os amigos mais velhos.
18) O Rock não vai morrer.
19) Você dançaria funk por dinheiro. Acredite, então não julgue os outro, tá.
20) Desapega... de tudo e todos, as coisas ficarão mais leves e mais fáceis.
21) Não, você não gosta de Publicidade e Propaganda. Mas vá e mate mais aulas, curta os amigos.
22) Quando você encontrar o hippie... vai ser ótimo, mas você nunca vai beijar o hippie, desculpa falar tá.
23) Esse seu namorado você vai amá-lo de outro jeito depois, mas tudo acaba, viu, menos o amor.
24) Eu diria pra você se dedicar mais à música do que ao teatro, mas cabe a você né...
25) Baladas alternativas são legais, sua mãe vai achar que é o demônio no seu corpo, mas não é, muito pelo contrário.
26) Nunca pense que pra você não é permitido, ou que você é menos. Isso tudo é ridículo e pode te atrapalhar muito.
27) 10 anos depois "lá" já mudou muito de direção, apesar do roaming, gosto do rumo que toma.

Se eu realmente pudesse te dizer algo aí, 10 anos atrás, Susi, seríamos outra coisa... e eu te daria milhões de conselhos mais, mas parabéns por tudo, você não precisou de mim, nem dependeu de ninguém pra ser quem é hoje!





quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

who is the joker, who is the joke?

Sou mórbida, mas nem tanto.
Não queria ter lembrado que dia é hoje, isso não compreende meu nível de morbidade.
Já disse e repito: eu aceito a morte. A morte endossa a vida e eu jamais esqueço dela. Prefiro lembrar que minha vida é breve para cuidar melhor das pessoas ao meu redor e do que elas me alimentam, e vice-versa. Vem com a velhice e é um aprendizado bem duro.
Não gosto da ilusão, não gosto de fantasiar, gosto da vida como ela é, esperar o que ela pode trazer, buscar o que eu posso e quando quero.
Mas na verdade, falando em vida, poucos são os axiomas. Exceto que você morrerá e todo mundo que você ama também, o negócio é não fazer disso um problema, mas uma condição básica, e fazer da vida uma oportunidade, fazer de cada dia uma oportunidade. Mesmo nem tendo humor e amor para isso todos os dias.
Lamentarei a falta de referências, de associações parecidas, ricas do meu jeito, porque realmente são raras.
Isso me lembra um livro do Jostein Gaarder, O dia do curinga. A ocorrência de uma carta curinga a cada 54 cartas.
Por que o baralho tem 54 cartas e um curinga? Posso considerar o curinga como parte do jogo?
Curingas... raros... sinto saudade, mas me alegro por olhar no espelho e enxergar um curinga, como você, com o que tinha de bom e com o que tinha de ruim.
Faço parte do jogo?
Por que 54?
"Como Sócrates, também eu poderia dizer: "Sei que nada sei". Mas tenho certeza absoluta de que um curinga continua perambulando pelo mundo. Ele se encarregará de não permitir que o mundo se acomode. A qualquer momento, e em qualquer parte, pode aparecer um pequeno bobo da corte usando um barrete e uma roupa cheia de guizos tilintantes. Ele nos olhará nos olhos e nos perguntará: 'Quem somos? De onde viemos?'."

 ...

"-Você sabe o que a sua avó me disse um dia? Ela disse ter lido na Bíblia que Deus está lá no céu e ri
das pessoas que não acreditam nele.
- E por quê?- perguntei. Perguntar era sempre mais fácil do que responder.
- Muito bem...-começou meu pai.- Se há um Deus, que nos criou, então de uma certa forma somos "artificiais" aos seus olhos. Falamos besteiras, discutimos e brigamos entre nós. Depois nos
separamos e morremos, compreende? Somos superinteligentes: sabemos construir bombas
atômicas e foguetes para ir à Lua. Mas nenhum de nós se pergunta de onde veio. A gente
simplesmente se contenta em estar por aqui, dividindo com os outros este espaço.
- E é nessa hora que Deus ri de nós?
-Exatamente. Se nós fôssemos capazes de criar um ser artificial, Hans-Thomas, nós também iríamos rachar o bico de rir se esse ser artificial saísse por aí falando um monte de bobagens sobre os índices
da bolsa de valores ou sobre corridas de cavalos, por exemplo, sem se perguntar a coisa mais simples
e mais importante de todas: "De onde é que eu vim?".
E foi exatamente o que ele fez antes de prosseguirmos viagem:
- Devíamos ler mais a Bíblia, meu caro. Depois que Deus criou Adão e Eva, ele ficou andando pelo
Jardim do Éden, observando os dois. Verdade... Ele ficava atrás de arbustos e árvores, observando direitinho tudo o que os dois faziam, entende? Deus não conseguia tirar os olhos deles, de tão
fascinado que estava com a sua criação. E não o critico por isso. Não, não... posso entendê-lo muito
bem!"

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

there's no place like home

É irrefutável que sair de férias é muito bom! mas voltar pra sua cama, seu travesseiro, também é ótimo!
Essa foi a maior lição que aprendi nos últimos meses do ano que acabou: como é bom voltar pra casa.
Sim, acabei de voltar para casa fisicamente, depois de uns dez dias em Curitiba. Mas o voltar pra casa que realmente foi gostoso é se sentir em casa com as pessoas, com as situações.
Eu venho tentando me adaptar às pessoas, às situações, e sabe, me estrepei, ouvi tanta merda, me envolvi com tanta bosta, que desisti de me adaptar e dane-se: prazer, sou chata mas sou de verdade e tenho preguiça de tentar te agradar.
Com essa importante decisão eu encontrei meus queridos "chatos", que não me cobram coisas ridículas, que me oferecem coisas novas, partilham conhecimentos e ideias. Por isso digo: como é bom voltar pra casa.
Minha antiga terapeuta dizia que eu me associava demais com pessoas muito diferentes de mim. isso é complicado porque eu fico com aquela sensação de intrusa, de esquisita o tempo todo.
Realmente, é absurdamente incômodo.
Acontece que sendo eu mesma, a vida fica meio insólita, porque eu sou muito nerd, esquisita e mala. Mas devo dizer que aqueles que ficam são os de verdade, poucos sim, mas maravilhosos e não me arrependo.
Tenho vergonha das antigas associações, das pessoas burras e vazias que não me acrescentaram nada, só sugaram energia vital. Mas com essa lição aprendida eu voltei pra casa.
Para o abraço delicioso dos meus queridos. Para as piadas nerds dos meus amados, para os rockeiros de verdade que entendem sobre o que eu falo, lêem nas entrelinhas das minhas frase: ou tentam porque sabem que tem.
O que o ano velho me ensinou foi que associar-se com pessoas ricas, enriquece. Associar com pessoas pobres, você enriquece a pessoa e empobrece a si... lei da física... tudo é troca e você vai adquirir um pouco de mediocridade.
Sim! Eu me acho mesmo porque sei quem eu sou e odeio falsa modéstia. E sim! eu tenho casa pra voltar, eu tenho abraço pra descansar, eu tenho meus esquisitinhos para amar! E nenhum lugar no mundo é tão bom quanto o lar!

There's no place like home
There's a little white porch
And you wanted it so
And you let me go down
To the end of the road
And the black and the white
A technicolorful life
Can I stand by your side?
We can make it alright
Like home
...
What I want from this world
What I wanna resolve
When I want you to stay
So I want you to wait
I don't wanna be bold
I don't wanna be cold
I don't wanna grow old
I wanna go home!