Dia desses fiz um exame e deu ia morrer (uhum, eu sou trágica, mas sim,era sério), enrolei três séculos, refiz o exame e era tudo um engano. Agora não tenho mais que me preocupar com minha cerimônia de cremagem, testamento, fazer coisas nobres o quanto antes. Agora percebo que não tenho mais nada que me motive!
Vivo de hobbies e trabalho. Acordo cedo, vou pro altar de Ford, almoço meu ovo de cada dia, volto pra casa... ou não! Vou pra academia porque a mídia diz que é saudável (realmente é), e que eu tenho que ser magra e malhada, e eu ainda estou gorda demais.
Ou então vou pra aula de guita e de canto, porque música eu gosto e faz bem pra alma, e causa calos no dedo mindinho.
Ou então eu vou pra aula de moda, porque é o que eu deveria ter feito quando saí do ensino médio, mas algo deu pane no meio do percurso.
Aos finais de semana gravo minhas ceninhas de Julia, com o peso mórbido de nunca agradar ao diretor porque desde o início ele não me queria no papel, e driblo o fato de detestar minha imagem (que não é tão magra) e minha voz (que é muito infantil).
Faço alguns desenhos pra Clementine- que é algo que me dá prazer, mas não me dá lucro também! Não me dando prejuízo, ótimo.
Ás vezes saio com meus amigos, ou com pessoas pim no universo.
A gente ri, a gente bebe, a gente raramente fala de algo construtivo.
Lá fora tem pessoas morrendo por vício de drogas porque elas não tiveram a educação que eu tive, e que nunca tive curiosidade de saber como é.
Lá fora tem mães fazendo atrocidades com seus filhos porque nunca experimentaram ter carinho de alguém.
Lá fora tá cheio de governante me representando e a única coisa que ele faz de melhor é me roubar e coçar o saco.
Lá fora tá cheio de gente perdida (como se eu soubesse docontô e poncovô).
Lá fora tá cheio de gente imatura e egoísta.
Lá fora tá cheio de criança que não sabe o que é ser criança.
Lá fora tá cheio de gente que só precisava de um abraço.
Lá fora tá cheio de idoso desrespeitado e cansado da vida.
Lá fora tem gente queimando livros e devorando publicidade de massa.
Lá fora tem gente acreditando que tudo está em paz, quando paz e rumores de paz é só o começo do fim.
E eu aqui na minha rodinha de hamster. Transferindo a responsabilidade pra outros. Vivendo pro meu umbigo porque como eu ralei pra chegar aqui, eu acho que o mérito é meu e os outros que se danem! Afinal! todos são um bando de aproveitadores.
Sensação estranha de ser indivíduo mas fazer parte de tudo isso aê, e como parte ignorar dessa forma, pareço ser- pelo menos aos meus olhos- uma decepção.
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