domingo, 31 de outubro de 2021

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Caminhei tanto, fui tão longe. Agora faço um trajeto pra dentro. Profundo, como nunca antes. É como se tivesse sido necessário toda a distância caminhada antes para ser possível ver o que hoje vejo. Talvez eu precisasse de mais calos para que essa travessia doesse menos. 

Em uma das imersões cheias de signos embaralhados eu vi algo como a casa do Kansas em preto e branco, e depois o reino de Oz todo em cores. 

O coração, a coragem, o cérebro, os desejos sempre foram juntos com quem buscava essas coisas, foram afloradas pelo caminho. Como se o destino pouco importasse. Importa o que se descobre no caminho. Mas ter um foco me fazia mais resiliente.

Não há lugar como o lar. E até hoje reverbero essa frase na mente. Kansas, meu Kansas. Esse é meu lar, é onde sinto que cheguei onde devo, onde há banho quente e descanso.

No entanto meu Kansas real era um inferno. O lugar de banho quente e descanso sempre foi minha mente, porque nunca houve lar fora dela. Sem a venda do romantismo nos olhos, o meu lugar de identificação é a guerra e a humilhação que eu tinha a obrigação de aguentar em nome de um reino de Oz. 

O que é descanso afinal? Onde de fato posso encostar a cabeça e ser eu mesma? Será que eu tenho a habilidade de construir meu Kansas? Novo lar, algo que nunca vi, sei que deve ser diferente do lar de hábito. 

A verdade que continua é que não há lugar como o lar…

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