segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

i scream a little louder

 Todo final de ano faço textão de final de ano.

Já estamos no dia 4 e não rolou textão pelo simples fato de que ainda não digeri.

Deus sabe que eu estou puta com Ele, o que é bizarro, eu me coloco diante dEle enquanto serva, inferior, necessitada da misericórdia dEle grata por mais um dia de vida.

No entanto, eu não amo a vida com essa vivacidade que deveria. Porque eu não acredito em dias melhores, eu acredito na entropia. Eu queria dias melhores, mas daí a até que eles sejam uma realidade é uma outra história. Estar viva ao mesmo tempo que é uma grande benção é uma grande praga.

É a caixa de pandora, tá uma merda, mas pelo menos.... sabe "pelo menos"... Odeio essa vida "pelo menos"...

Quão fútil eu sou por querer mais? Material e espiritualmente? Mais.

É como minha compulsão por comida, eu gosto de comer até me sentir cheia, não satisfeita, quero além, que me sentir explodindo... e isso sim me dá prazer...

Quão animalesca eu sou por querer os extremos para me sentir bem. E o que é de fato se sentir bem, se nem quando é um bem sólido, ele não vai durar?

Vivo pagando preços, fazendo apostas, me desdobrando em gratidão por mais um dia, e a maldição do dia em que nasci.



Nesse momento escuto uma música ótima. Primeiro que a mulher que canta tem uma voz potente e rasgada. Exprime esse ódio/ força toda. E começa agradecendo as mazelas e depois diz: mordo mais forte, minha espada está mais afiada, rebato mais forte, grito mais alto.


Eu achava que a gente deveria, depois das mazelas da vida, nos tornar mais pacientes, calmos, senhores zen...

Mas se esse ano me ensinou algo, foi a abraçar meu demônio, me ensinou a de fato sentir e assumir meu ódio. E não fingir que sou zen e que ele não está aqui. Não estou falando de ser desequilibrada, mas o ódio tem uma energia forte, é propulsor, e me faz me sentir viva, assim como comer demais. Tem suas consequências? tem, mas o negócio de estar vivo é bem melhor saber do que sentir apenas letargia e ser uma morta viva esperando finalmente o dia de só deitar.






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