domingo, 7 de dezembro de 2014

just a dance

Ela vivia a de rascunhos... tudo que escrevia era rascunho para, quem sabe um dia, terminar. Seus desenhos eram rascunhos de algo que pudesse, quem sabe um dia, realizar. E todas suas vivências na verdade eram todos planos para, quem sabe um dia, concretizar.
A bailarina na parede carregava uma adaga, não tinha rosto e foi pintada com sangue, mas já está seco, um bordô quase marrom. Aquele sangue seco que ninguém mais duvidaria que era só tinta, ou que era só uma bailarina... como se uma bailarina pudesse ser SÓ uma bailarina...
Cada uma delas, inclusive aquela em especial, aprendera a dançar com graça apesar da dor, mostra ao público leveza quando na verdade usa muita força e seus joelhos doem, e os dedos estão destruídos, e sua sapatilha de ponta é das piores.
Aquele homem muito simpático costumava segurar sua mão, e ele significava a dor e o conforto, a morte e o afago.
Ela vem dançando com o demônio e ela amadureceu assim, não há o que se possa dizer quanto a isso.
dark
Como julgar a arte que você não entende? A dança que você não sente ou a experiência que não teve?
Tanta graça e beleza, na verdade, só fazia morrer por dentro... gritar o desespero em silêncio.
Não há socorro, não há salvação.

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