quinta-feira, 13 de março de 2014

the witches and the tears

Não sei como é sua vida. Sempre vi a vida através dos meus sentidos, até posso me colocar no lugar dos outros, mas sempre haverá a influência da minha experiência.
Pra mim, a vida sempre foi uma guerra.
Nasci de coturno sem saber o que ia acontecer. Depois de tanto apanhar entendi que deveria bater. Não tenho noção de quão forte pode ser, porque se fosse em mim, eu aguentava.
Costumo comentar situações fazendo paralelos com contos-de-fadas. Especialmente porque vejo que é muito forte a influências desses enredos na vida das pessoas. As pessoas vivem em função de uma amor pra vida, um príncipe encantado. Com isso me coloco no lugar de bruxa. O que não acho de todo ruim, porque são elas que dão movimento à história, são elas que levantam questionamentos e provam as pessoas, são os embates que nos faz mais fortes, que nos faz crescer.
O problema é que apesar desse paralelo, a vida não é feita de bons e maus, certos e errados, há adequação, pode até haver um lado certo, mas normalmente não se tem todos os fatos para julgar.
Me colocar como malvada é um equívoco.
Choro e sangro como todo mundo, a diferença é que aguento mais. E diferentemente das princesas, a bruxa chora sozinha rodeada de corvos. E qualquer um que assista pensará que deve ser um teatro, ou que ela de fato merece.
O interessante é que princesinhas não estão muito longe, mas o choro delas são mais valorizados, os erros delas são mais facilmente perdoados, isso sim é injusto.
E a bruxa aqui possui coração também, também tem frio e um útero que contorce. Ela não precisa ser princesa, mas ser vista naquele vestido rosa ridículo e ser mimada por todos seria bom ás vezes, só pra descansar das bombas pra variar.
Não sei se devo ser tão conformada assim, mas tem gente que nasce pro trono, tem gente que nasce pra guerra.

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