quarta-feira, 13 de novembro de 2013

entropia

Quando eu nasci já cheguei no meio da bagunça. Se o universo um dia foi organizado, foi muito antes de chegar gente no planeta.
Quando meu score ainda estava zerado, eu já estava chegando num lar com uma mãe com uma determinada bagagem e com um pai outra bagagem. Ambos com seus medos, desesperos, imaturidades, e por aí vai. Como qualquer criança fui absorvendo o mundo ao meu redor, um mundo que foi ficando cada vez maior com o passar dos anos e das experiências. E com isso tudo a bagunça só aumenta.
Se você tem muita coisa para organizar, a tendência é esquecer de algumas coisas e dá o maior desespero de arrumar o que se pode ver, pelo menos.
Num computador por exemplo, quando ele começa a ficar muito lento, você faz o backup do que importante e formata o resto. Tão mais fácil recomeçar.
Mas isso não se aplica a nós. Não a mim, no caso. Por mais que fale-se em recomeçar, não existe recomeço como começar de novo um mesmo trajeto, o trajeto nunca mais será o mesmo. Trilhar o mesmo caminha duas vezes é impossível, porque se não for somente o caminho que mudou, quem caminha certamente não é mais o mesmo.
Pra mim esse é o paralelo com a segunda lei da termo-física: a entropia. Acho que isso rege não só o universo, mas nossa vida enquanto parte dele. Eu posso tentar arrumar qualquer coisa, mas tudo foi organizado uma só vez, de resto ele tende a se desfazer, a modificar e não conseguirá tornar ao seu estado inicial, nunca mais.
O foi feito está feito, não importa se perdoado ou curado, há sempre alguma marca deixada, normalmente a experiência. Que é o que me faz diferente para as próximas caminhadas, e eu que não serei louca de repetir as velhas experiências. Não vou trata-las como erros, porque pode ser relativo. Errar é bom para crescer, e evolução é o que todos deveriam buscar, então por mais que tenha sido ruim qualquer coisa, tenho mais é que ser grata porque a experiência me fez crescer.
Mas acho que a lição mais recente, é aprender a paz no meio da bagunça, já que bagunça é parte essencial da existência.
Nunca morri devido à desorganização do meu planeta, me irrito sempre, mas se não posso mudar, me conformo sem tomar forma.
Não que todo mundo precise ser do meu jeito, mas se for tão diferente ao ponto de eu não gostar, que a aleatoriedade da existência nos junte com outros, que nos tragam experiências e referências.
Mesmo porque não sou obrigada né. Sou uma velha cheia dos meus conceitos, e vários deles nem são preconceitos, experimente e não gostei mesmo. Só não quero parar de experimentar. Visto que o hurricane tá aí e ninguém pode parar...
Acho que hoje aceito melhor a entropia da vida do que há três dias atrás. E meu desespero é tão diferente de 4 anos atrás. Praticamente nem existe hoje, o que me deixa tão feliz, com uma sensação de ter finalmente aprendido alguma coisa realmente boa.
Ei! existe vida em meio ao caos, existe paz, existe alegria. O resto de coisas ruins que existe todos sabem, só espero que você nunca ignore isso, a consciência dessa bagunça toda é que garante estar na bagunça e não ser bagunça.
Segundo a entropia, a desordem é a ordem natural das coisas...

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