segunda-feira, 16 de julho de 2012

Churchs- Part IV

Não gosto porque querem me dar uma receita de como tenho que fazer as coisas. Todas elas, como se a vida não fosse uma salada de sortimentos. Como se fosse mensurável cada coisinha, como se o inesperado não fosse obra de Deus, como se o choro, o sofrimento e o erro não fizessem parte do crescimento, mas do pecado.

Não gosto porque é melhor quem finge ser melhor, não gosto porque não me sinto a vontade em dizer que não concordo, não gosto porque o amor é plástico e ninguém quer enxergar, não gosto porque parece que o diferente nunca é aceito e é onde todos usam as maiores máscaras.

Quando não te sobra mais nada você começa a rever seus valores e aprender o que realmente importa. Daí você olha pra essa minha cara de patricinha mimada, com pose de forte e equilibrada e diz: rá! o que você sabe da vida, garotinha?

Bom, certamente sou uma garotinha, tenho receios e vontades beeem pueris, tenho uma armadura de mulher forte e bem sucedida, mas assim como cada um de vocês, essa é minha máscara, é o que eu uso por medo do fracasso, por medo daquela velha dor, por medo da rejeição, eu já faço isso por vocês. Mas o que eu sei? Muito mais do que você pode perceber.

Enquanto as teorias de massa querem cegar, eu crescia num evangelho que queria me tirar as vendas, e me pedia pra ser racional. Mas hoje quando sou racional eu estou sendo demoníaca... então não entendo porque eu tenho um cérebro que faz  essas conexões. Sou eu uma escolhida pro mal? Pra plantar a discórdia? Sou eu mesmo aquilo que eu costumo brincar: a bruxa má do conto que faz as histórias acontecerem, mas que no final está sempre errada?

Talvez... ao mesmo tempo que vocês dizem que Deus me ama, vocês dizem que ele abomina bocas abertas como eu.
Mas a minha pouca experiência de vida me mostra o contrário. E mais do que acreditar nas obras de Deus no ouvir falar, eu acredito no que eu vi. E sabe o que eu vi? Deus amar um bêbado com nome de Jesus, mas que dizia odiar Jesus. Num belo dia a morte bateu à porta e ele viu que o Jesus de verdade que realmente se importava com esse homem troncho, errado e odiado. Sabe o que eu vi? Um homem fora dos seus padrões morais com um coração muito bom desses que você jamais descobriria por puro preconceito, ser recebido pelo Pai. Esse Deus que eu conheci era bom mesmo, misericordioso mesmo, daí eu entendi o sentido de que ele NÃO faz ascepção de pessoas. Somos todos iguais, acredite!

Não! Eu não quero justificar meus erros, só quero que a hipocrisia no mundo diminua um tico e você enxergue quão vil você é, quão injusto você é, como sua maneira de me medir está errada.

Sabe onde meus erros ou sei lá como posso chamar tudo isso me levaram? À maturidade. Aí você me diz: você? madura? ahaha. Bem, talvez não em tudo, óbvio, se não eu seria perfeita e eu nem precisava mais existir! ahah. Mas sim, acho, sem falsas modéstias, que minha maneira de enxergar o mundo é lúcida, é lógica e faz sentido. A questão é que foge do comum e as pessoas costumam me taxar de louca, de depressiva, de pessimista, de sem juízo.

A diferença é que eu não estudei o manual de como agir em sociedade antes de vir pra Terra. Então eu não moldei quem sou com essas forminhas de preconceito que a maioria. Na verdade quando pirralha eu lia Descartes e com ele aprendi como pensar: Tese, Antítese e Síntese. Pensar fora da bolha, pensar com a cabeça de quem está de fora sem colocar opinião ou certo ou errado, mas pensar puramente pra entender o que eu penso. No que acredito, porque acredito. Especialmente em porque tenho raiva, porque eu explodo, porque me decepciono.

Lamento tanto de a maioria achar que é normal ser ridículo. É normal não pedir desculpas, é normal calar-se ao invés de conversar, é normal gritar e humilhar ao invés de resolver as diferenças com amor.

Ah! mas o amor plástico não tem poder pra nada.

Minha felicidade é tão volátil. Minha paz de consciência limpa é real e não bloqueia sentimentos ruins, como esse que sinto exatamente agora de não pertencer.

Porque todas essas máscaras, todo esse amor plástico, toda essa falta de lógica eu não vou mudar, e eu não vou mudar a mim pra me adaptar. É como se eu retrocedesse na minha evolução. Me perdoe colocar dessa forma, mas é verdade.

Eu faço análise. Comecei procurando por um profissional dizendo que eu não gostava de mim, de que eu sinto não pertencer a lugar nenhum e tenho explicado o porque. Ajo como os outros também, mas não aceito tudo, algumas coisas eu aceito, eu abro mão porque acho válido, acho que se faz necessário se eu quiser fazer parte, mas no mais, não tenho intenção de mudar a mim. deu muito trabalho chegar aqui e cheguei por uma razão, e esse profissional sempre diz: vc não tem problemas com isso, na verdade você se cerca de pessoas diferentes demais.

Não, não sou uma leiga sem Deus. Obviamente Ele é grande demais para que eu o entenda, mas Ele não está longe e eu sei. Ele manda pessoas estranhas e Ele me mostra o objetivo de eu ser assim. Ele me manda outros "estranhos" que me completam e que certamente eu deixo alguma coisa com esses que passam. Concluo que isso que é tão condenado em mim, é tão usado por Deus.

E de repente, dentro da igreja, parece que o mundo é tão menor. Parece que nosso objetivo é tão pequeno. Esse amor que a gente fala não acontece entre a gente, porque é preferível não olhar mais para os desafetos do que consertar. É melhor aumentar historias dos outros do que até querer saber a verdade. Pior que isso! Espalhar a informação impunemente! como se a própria bíblia já não tivesse informado de que a língua é como fogo. E queridos, os ventos estão fortes, exatamente no ponto de espalhar sem apagar essas chamas destrutivas.

Digo que estar lá sem me enolver é bom. É bom ser anônima, é bom ter poucos amigos.
Mas cá estamos novamente nos "Extra Extra" dos burburinhos, na imaginação crescente dos desocupados, no ódio dos vingadores, na inveja das feias.

Bem vinda de volta ao mundo medíocre. Bem vinda à guerra fria, querida.
E aí pequena Susi! É aí mesmo que você quer ficar?


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