domingo, 15 de abril de 2012

the Rock n Roll inside of my head


Nascido nos anos 50, sofreu diversas mutações e evoluções e teve várias caras, vários rostos representando essas caras de maneiras inconfundíveis. Teve seu ápice alarmante nos anos 70 e 80, nos anos 90- que pelo menos eu vivi- era ainda muito forte comercialmente e nos anos 2000 vi ele morrer do mundo convencional.
Quando pirralha, na minha casa eu ouvia Balão Mágico, hinos, moda de viola, Queen, Bee Gees e Madonna. Só coisa boa, mas nada ofensivo. Ok, relevemos o "Mamma, I just killed a man"!
Com a doença adolescência chega o confronto. É aquele momento da vida que você pesa o que você aprendeu e presta atenção em como você vive.
Eu cresci na igreja e numa família doida e paradoxal, não poderia ser eu um ser humano equilibrado né. Meus confrontos sempre foram bem grandes. Concluí que a gente pregava uma coisa e vivia outra, e tinha muita coisa errada aí.
O rock sempre associado com drogas, putaria e o demônio jamais poderia entrar na minha casa. A imagem que eu tenho disso é o clipe Whiskey in the Jar do Metallica. Mas descobri que nada é tão puro e tão essencial assim.

Com a adolescência vem também a sensação de imortalidade e poder de mudar o mundo. E a arrogância de que 'eu estou certo e só você não vê, seu adulto babaca'. Seria legal se não fôssemos tão imaturos, burros e de visão limitada... ainda... porque esse pensamento ajuda a ir um pouco mais longe do que já foram antes.
Eu não sei em que época que eu vivi um rock que era sinônimo de uma cultura, atitude, não simplesmente um estilo de música (acho que qualquer estilo é assim, by the way). Ao mesmo tempo em que rockeiro tatuava-se, bebia, e pegava varias mulheres numa noite, outros eram punks de verdade e lutavam por uma política decente.
Conhecem Viviene Westwood? Se tem alguém que eu queria ser quando crescer é ela. Se você colocar o nome dela nas buscas de imagens, verá uma senhorinha ruiva, com cara de excêntrica, alguns desfiles de moda, umas Melissas maravilhooosas, daí você jamais poderá dizer que ela é o cara do movimento punk. Sim, O CARA!
Nos anos 70 ela foi mentora do movimento punk na Inglaterra, ela foi casada com Derek Westwood, produtor da Sex Pistols. Começou com uma loja de roupas punk e hoje é um ícone respeitado no mundo da moda, até ganhou título de Lady da rainha Elizabeth. Hoje ela encabeça vários movimentos pró sustentabilidade (não da maneira burra como as que proíbem sacos plásticos no mercado e liberam mil embalagens em um só lanche fast food ou milhoes de metros de embalagem num ovo de páscoa). Ela diz que a humanidade tem três maus principais:
Distração desenfreada
Mentira organizada
Idolatria nacionalista.
Ok! Meu foco não é ela!! Me empolguei e pararei na metade do começo para não me empolgar mais ainda! Mas ela é mto rock 'n' roll pra mim, ela faz diferença onde ela vive, na pior das hipóteses ela vive na dela de acordo com os princípios dela, ganha decentemente o dinheiro e  aproveita sua popularidade pra lutar pelo que ela acredita.
Voltando, eu estava querendo dizer que o rock na minha mente era uma coisa meio against the system, daí o system achou tudo muito lucrativo e incluiu o rock no sistema. Enquanto os atos de rebeldia against the system davam dinheiro tava bem, mas começou a cansar a massa e começaram a deturpar tudo, a pacificar tudo e maquiar tudo e o rock morreu, foi engolido quando começou a fazer parte daquilo que ele era contra. Esse pelo menos, foi o desenho que eu fiz na minha cabeça sobre a morte do rock.
Juntando essa salada que eu fiz, uma pessoa que pensa e se irrita com a hipocrisia e a morbidade do ser humano, vira rockeiro, metaleiro wathever! Pelo menos eu não vi nada mais óbvio! Se nosso modo de vida me incomoda, pq eu cantaria deixa a vida me levar, ô vida leva eu?
E como qualquer movimento cultural, o rock envolve moda, música e comportamento. Ou seja, está tudo no combo da comunicação.
Solos de guitarra não fazem um rockeiro. Já assistiu Runways? Filme raso como tudo que vivemos hoje sobre uma coisa que poderia se aprofundar em algum tema, pelo menos... Pô! Elas foram, ou tentaram ser uma banda de rock nos anos 70, formada apenas por mulheres, isso foi muito revolucionário! Mas é óbvio que não deu certo, muito ego feminino junto regado à muita droga. E o filme - comunicação para nossa época- não fala nada de nada.
Ok, eu sei, esse filme talvez você nem conheça, e é pouco representativo.
E pensando mais além, pra ser honesta, na cultura de massa nada me representa. Bem rock 'n' roll. Hoje o que sobra pra ele são covers de monstros passados, talvez mortos. Até bandas velhas que fazem shows hoje, lotam casas de shows mas não trazem nada novo, se trazem é tudo tão tímido, e poucos o fazem. Mas também, se fizerem eles muito provavelmente não fariam o mesmo estouro, e artista precisa de dinheiro porque geralmente ganha muito (quando ganha muito) e gasta muito sem pensar no depois.
É um nicho que ainda existe, ainda se ronova, timidamente, mas sim. Eu mesmo, posso criar moda pra esse nicho, mas devo ter consciência de que passo muito apuro por não fazer algo comercial e que pra me financiar eu devo apelar ou tem MUITA paciência. A vantagem é que eu não vivo disso.
Mas acho lamentável que aquilo que poderia ser meu lazer é restrito à lugares feios, fedidos e cheios de baratas, com pessoas feias que apenas usam a moda pra se representar. Isso me lembra um fato. No show do System of a Down em SP - banda velha, banda ótema, que falam merda, palavrão e muita crítica decente também! Até momis concorda! Saindo de lá e esperando nossos meios de transporte para voltarmos pra nossa casa sob a cobertura de um posto de gasolina, porque começou a chover, os animais que assistiam ao show jogaram suas belas garrafas de cerveja, latas de refrigerante e garrafinhas d'agua por toda a rua, um tapete nojento se formou, e na contagem do 1 ao 3 lá estávamos nós ilhados pela nossa própria burrice.
Na boa, ser burro, porco e bêbado pra mim não é atitude rock 'n' roll, é adolescência tosca mesmo. Falta de cérebro, tenho vergonha, juro. Embora ele traga muito disso também, acredito que não precisa ser assim.
Eu achava que o rock ainda sobrevivia por aparelhos. Mas parece mais um velho gagá. Um tiozão revolucionário cheio de histórias pra contar, mas pouco influenciador, e nada influenciável.
O rock de verdade que nos alimenta foi feito há anos atrás e, por muitas vezes, aconteceu antes de eu nascer.
Ainda vejo gente lutando pelo que acredita: música boa, cultura saudável, e rock novo e moda despadronizada.
E digo mais! Não há espaço pro rock - que é algo agressivo- no mundo cor-de-rosa de hoje. Li até numa reportagem dia desses que vivemos na época mais pacífica de todos os tempos. Não temos guerra, fingimos respeitar a opinião dos outros (ORGANIZED LYING), vivemos de bobeira sem nos preocupar com nada (NON-STOP DISTRACTION) como se a vida fosse realmente fácil e tudo estivesse ajustado. Como se nossa política não fosse um lixo, como se viver das ideias fosse suficiente, como se já fôssemos seres prontos e realmente bons. Maquiagem, somos maquiagens felizes de humanos que não existem, que são up o tempo todo.
Só acho que sem confronto a gente não cresce, sem bullyng a gente nunca vai se enxergar, sem competitividade a gente nunca vai aprender o que temos de melhor, sem guerra a gente nunca vai tentar ser mais do que somos, sem enfrentar o monstro que temos faremos uma guerra bem pior qualquer dia desses, sem enfrentar as verdades a gente nunca vai existir de verdade, a gente nunca vai experimentar a vida de verdade.
Você pode deixar a vida te levar, mas eu garanto que um dia você vai se dar conta que é fraco demais pra sobreviver.


3 comentários:

Arashiro disse...

Bom, escrevi meu próprio texto sobre esse tema, e não fugi muito do que vc disse ^^ Mas como havia dito, curti demais o seu blog e ele me inspirou pra voltar a escrever depois de um bom tempo. Espero que de pra explorar um pouco mais o assunto ^^

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Sabe o que eu penso sobre o Rock? Ele é apenas um movimento artístico que trouxe à tona sentimentos que estavam reprimidos no ser humano, principalmente por conta dos traumas pós Segunda Guerra Mundial e uma sociedade autoritarista. A juventude não podia suportar viver naquela realidade instaurada e o rock foi uma rota de fuga pra esses sentimentos. E assim vem sendo desde então.
Como qualquer outro movimento artístico, ou "onda" artística, como eu gosto de chamar, ele acabou se difundindo, sendo replicado com características que eram acrescidas por cada músico. Surgiram diversas vertentes, e "sub-ondas" cada qual com sua essência, algumas até mesmo contraditórias. Dentro deste contexto, começaram a surgir as chamadas tribos urbanas, onde os jovens passaram a buscar identidade através dos gostos musicais similares, aparência exótica (moda), criação de alguns dogmas e uma certa ética informal.
É nesse ponto que também começam a surgir algumas merdas. Grande parte de seus seguidores, acabam por se limitarem a determinados estilos, agem por muitas vezes como idiotas (haja vista as gangues de punks e skinheads que se digladiam de forma caricata, em nome de ideologias moribundas) e irem contra seu próprio desejo de liberdade.

Apesar de me enquadrar em certos arquétipos que se tem de um "Roqueiro", às vezes me ofendo quando me chamam assim, por conta desse retrospecto. Isso porque eu sou um amante da arte em geral e assim como não acredito que seja saudável buscar todas as respostas da vida em apenas um livro, também não seria saudável acreditar que apenas um gênero musical possa transmitir sentimentos verdadeiros.
Continuando o lance histórico, também como todos os movimentos artísticos, todo subgênero do rock um dia se satura. As proporções leviatânicas revolucionárias que eles parecem ter em princípio, na verdade mostram que gigante é apenas a sombra da poeira levantada. São rapidamente absorvidos pelo sistema, que os utilizam como mais um produto de entretenimento, e de controle dos ânimos. Apesar disso não considero que ele esteja morto. Ondas menores continuam brotando a cada dia, e apesar de em sua maioria não ter tanto apelo midiático, e o cenário pra que esse tipo de arte seja exposto estejam cada vez mais degradado como você ressaltou, algumas bandas ainda me surpreendem e realmente colocam o coração em seus trabalhos.

Acredito que o rock seja muito mais importante como elemento entrópico, de subversão dos valores sociais, do que como uma ideologia ou estilo de vida em si. Conheço bastante gente que ainda vive na vibe “Sexo, Drogas e Rock’n Roll” e não os julgo por terem seguido por esse caminho, mas pra mim isso é insuficiente. O que me seduz (e de forma bastante individualista) são os sentimentos que alguns de seus subgêneros me despertam, em sua maioria, sentimentos execrados pela sociedade ocidental capitalista que vivemos. Sentimentos reprimidos, assim como no princípio. Eles exaltam minha insatisfação existencial, e alimentam meu ímpeto por mudança. Pra mim, essa é a verdadeira força no rock: incitar a revolta e não ser o próprio processo revolucionário.

Só pra polemizar, e tenho certeza que alguns “Roqueiros” me esfaqueariam por conta das afirmações a seguir ^^ Eu acredito que Restart seja tão rock quanto Nirvana e que gêneros como HipHop e o Funk também sejam arte, muitas vezes mais eficazes que o próprio Rock. Deixo aí essa imensa lacuna pro debate e num próximo texto darei minhas explicações uhsauhasuhsa

Arashiro disse...

Putz, alguns dias depois de ter escrito, eu reli e achei meu texto tão chato, meio desconexo, com alguns trechos de cinismo que não deram o efeito desejado. Um tanto melancia com gengibre ^^ But, What is done, is done.

Só pra esclarecer e continuar com a idéia: Não, não sou fã de Restart. Mas pensemos na banda Nirvana. Eles representaram o descontentamento, a depressão, a fúria adolescente, nos anos 90. Expressavam-se em músicas que navegavam da monotonia à destruição, e com letras sobre o cotidiano, da fuga através das drogas, sentimentos negativos, com algumas letras diretas, e outras nem tanto (um mulato, um albino, um mosquito, minha libido, só consigo pensar em heroína, cocaína, uma seringa [ou a própria Courtney Love], e o desejo do cara). Whatever, o público abraçou, a mídia viu uma fonte imensa de dinheiro e deu no que deu.
Uma década depois, surge o movimento emo. Adolescentes, remanescentes do movimento hardcore, também um tanto melancólicos, também com sentimentos reprimidos, mas que buscaram conforto em relacionamentos, carinho mútuo (deixando um pouco a violência do hardcore), atitudes meigas (mas as vezes pseudo suicidas) e por aí vai. Sua aparência chocava quem olhasse, suas atitudes causavam estranhamento. A mídia percebeu o apelo comercial, e apoiou. Depois de anos sendo linchados moralmente pelos não adeptos, talvez até por conta do amadurecimento da maioria dos fãs, o movimento perdeu força e então surge a onda dos coloridos, que tem exatamente as mesmas características dos predecessores, mas ao invés de melancolia, tentam ter uma aura mais positiva, continuando o enfoque nos romancezinhos, vida alegre, meio história da Disney, roupas extravagantes, etc.
Esse é o ponto: Tanto grunge, quanto os hardcore coloridos, foram movimentos criados por adolescentes, que transgrediram a realidade atual em que viviam. Tudo bem, dizer que um contexto é mais bizarro que o outro, ou que um teve mais impacto social que o outro, mas, ambos tem características para serem chamados de rock.
Sobre o HipHop, e o Funk, também são movimentos de contra cultura, que se utilizam de outros artifícios para retratar e transformar sua realidade. O Funk mostra de forma explicita a vontade absurda da massa por sexo. “Sexo, drogas e pancadão”, não lembra algo? Tem muita gente por aí que vive nessa mesma realidade, mas de forma hipócrita e moralista, critica sem refletir sobre seus próprios atos. Não estou dizendo que a qualidade intelectual desse tipo de música seja boa, ou que defendo a apologia ao hedonismo extremo e a criminalidade, mas que esses são movimentos artísticos que tem uma razão para que tantas pessoas tornem-se adeptas.

Enfim, onde que eu quero chegar com todo esse bla bla bla é que algo que me incomoda no ambiente do rock é que grande parte dos fãs (e não todos, é claro) se preocupa demais em mostrar a superioridade de sua música. Passam o tempo inteiro criticando outros estilos, entrando em joguinhos de quem é melhor que o que, e esse tipo de lixo. Mas não enxergam que a arte é um reflexo da sociedade, e que uma vez em destaque, acaba por moldar a própria sociedade. É um esforço em vão tentar convencer alguém a não gostar de algo, quando aquilo faz parte da vida dela. Não muda em nada o mundo, só vai deixando-o mais chato e rabugento. Ao invés disso, poderiam concentrar-se no auto-conhecimento, e mudar o que está a seu alcance.
A meu ver, seja na forma de um cabeludo com maquiagem de morto-vivo, berrando poesias em ode à satanás, ou um moleque espinhento, com calças roxas e óculos gigante sem lente, onde houver repressão haverá algum tipo de rock.
Essa era a mensagem. Que surjam as pedras!

Susi disse...

Ahhh agora que vi seus comments! adorei especialmente esse seu segunto texto! mto isso né! sabe q pesquisando sobre atitude rock, pe lanza foi muito citado, achei legal, pensar fora da caixa...