No fundo eu almejava uma vida normal, mas na verdade fui adestrada para ser perfeita. A obrigação de ser a melhor, a impecável. Errar, mesmo que na primeira vez, não é honroso, muito pelo contrário, é extremamente vergonhoso, era doloroso. Se era pra tentar na incerteza do que iria acontecer, era melhor fazer escondido, ou nem fazer.
Então eu nem fazia, nunca fui muito boa em esconder.
Hoje com roupa de gente grande, não consigo lidar com essas minhas derrotas diárias, de não ser mais querida, não ser a melhor e mais inteligente funcionária, não ser o exemplo de aluna, de artista, de meiga, de educada, de bem-arrumada-como-mamãe-gosta, boa amiga. Não, nada, muito pelo contrário, rasguei essa carcaça pesada, agora eu tô com frio, pq aquela pose arrogante era tudo que eu sabia fazer.
Tal qual uma criança esperando pelo natal, fico imaginando se mereço algum presente e qual poderia ser. Mas papai noel não existe, ele ficou lá naquele baú com cheiro de mofo com as melhores lembranças da minha vida, exatamente onde ela parou.
Esperava mais do futuro, esperava mais pra quem eu sou hj. Fiz a minha criança frustrar-se com essa coisa q sou, e fiz ela desapontar-se pq todo o mundo q ela planejou hj é só um amontoado de cartas caídas e cinzas que o vento leva e espalha pelo espaço, pq não tem mais valor algum. Sinto dizer que pra mim valia alguma coisa e agora vejo lembranças maculadas, sonhos despedaçados e um coração amargo e doído.
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